Sempre que leio ou escuto sobre o termo Big Data fico com o pé atrás. Afinal de contas, qual seria a grande novidade em tentar extrair significado de uma montanha de dados que, a cada dia, cresce mais?
Para a gente que trabalha com Tecnologia da Informação, o tema não é novo. Desde os anos 80, existem os sistemas de Business Intelligence e Data-mining. Não há novidade em lidar com grandes quantidades de dados. A dificuldade cognitiva do ser humano de trabalhar com grandes quantidades de informações sempre foi uma constante.
A novidade seria a quantidade atual de dados disponíveis (estruturados ou não) ou a sua velocidade de análise que mudou? Ou na pior das hipóteses: Big Data seria somente um termo que chegou recentemente a outras áreas do conhecimento, como jornalismo, medicina e publicidade, e acabou virando o “assunto do momento”?
Quem ajuda a responder essas perguntas é Alex Pentland, considerado um dos mais relevantes especialistas do MIT sobre o assunto. Pentland foi eleito pela revista Forbes um dos sete mais importantes cientistas de dados no mundo.
Segundo o pesquisador, Big Data não tem nada a ver com grandes quantidades de dados ou velocidade de análise, mas sim com relacionamento de dados. Big Data diz muito mais sobre encontrar conexões entre dados e pessoas.
Essa visão de Pentland (foto acima) se relaciona com a Teoria do Caos. Perceber que algo feito aqui e agora terá um efeito x lá na frente. Notar o quanto os sistemas estão interligados. Enfim, Big Data é passear por toda essa complexidade e, a partir disso, construir sistemas mais robustos, sejam eles financeiros ou sociais.
Esse pensamento de olhar mais para conexões do que para quantidade de dados vai ao encontro de uma tendência recente de ver o ser humano como um “animal social”. Não somos uma ilha. As conexões sociais têm um grande efeito no que pensamos e fazemos, na forma como os eventos acontecem.
Big Data é olhar para esses detalhes das conexões.
O cientista alerta que o conceito de Big Data pode ser utilizado tanto para o mal quanto para o bem. Nós, como sociedade civil, devemos garantir que ele seja utilizado para o bem. Dados podem ser utilizados para prever epidemias, garantir uma melhor utilização dos recursos em cidades, construir um futuro mais sustentável.
Para isso, são necessárias regulamentações, que não somente garantam a utilização dos dados para o bem comum, mas que coloquem as pessoas em uma posição de poder em relação às suas informações. A relação entre usuários e empresas de internet deve um ser ganha-ganha e não um perde-ganha.
A propósito, essa é a grande e silenciosa mudança que a internet vem sofrendo nos últimos anos. Com o aumento do número dos usuários e de sua importância em diversos campos do conhecimento, legisladores, sociedade civil e governos estão cada vez mais atentos em regulamentá-la.
Essa movimentação é vista aqui, no Brasil, com o Marco Civil da internet.
É natural que isso aconteça. A internet está entrando numa nova fase.
O pesquisador Tim Wu mostra no livro The Master Switch que, historicamente, as plataformas de comunicação e distribuição de informação nascem sem restrições e limites, para, depois com a maturidade, sofrerem regulamentações.
No Fórum Econômico Mundial, por exemplo, Pentland propôs o “New Deal on Data“, que depois deu origem ao “Consumer Data Bill of Rights“, proposta apresentada pelo governo Obama que traça diretrizes a respeito de como as empresas de internet podem utilizar os dados de seus usuários. O documento dá mais poder aos consumidores.
E é aí que está a grande questão que o cientista ajuda a levantar. Google e Facebook são duas empresas que se acostumaram a crescer e fazer negócios em um mercado desregulamentado e sem restrições. Como elas passarão a agir em um mercado regulamentado, principalmente em relação ao uso de dados?
Ou melhor – como serão os novos negócios na internet, uma plataforma que caminha cada vez mais para a regulamentação? É coisa para se pensar.



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