Algumas pessoas pediram para comentar a entrevista de Sergey Brin ao Guardian.
No domingo, o site do jornal publicou uma entrevista na qual o cofundador da Google diz que está preocupado com a “liberdade da internet”, que, cada vez mais, estaria sendo ameaçada por governos ditatoriais, como o do Irã e o da China, e pelo crescimento de empresas que funcionam como silos de informações – Facebook e Apple.
O conteúdo da entrevista vai ao encontro de uma recente postura adotada publicamente pela empresa de busca – um modo cada vez mais defensivo.
Nas últimas cartas abertas ao mercado, a Google se defende de diversas acusações. Na entrevista, Brin coloca a Google quase que como uma vítima de uma internet que supostamente é cada vez menos aberta.
Realmente, o Facebook de hoje lembra o Internet Explorer de alguns anos atrás – algo que muitas pessoas utilizam, mas que não faz tão bem assim ao desenvolvimento de uma “internet aberta”.
Contudo, esse mal não é no nível em que Brin afirma. O Facebook é uma parte pequena da rede. A plataforma de rede social tem relevância na “camada de aplicações” da internet, mas não em sua segunda camada – infraestrutura. Ou seja, a internet é muito maior que o Facebook.
O que o crescimento do Facebook e da Apple mostra é que, antes de tudo, as pessoas estão atrás de facilidade. Pouco importa se faz bem ou mal a web, se é aberto ou não, o que as pessoas querem é facilidade. E é justamente neste ponto que tecnologias estéreis, como o próprio Facebook e o iPhone, ganham destaque – os usuários são obrigados a usar o produto da forma como o fabricante deseja, contudo, em contrapartida, ganham segurança e facilidade por meio do controle.
O fato da Google se colocar como uma defensora do mercado aberto não é uma postura descabida. Pessoas que contribuíram e contribuem para a promoção da web estão bem mais próximas da Google do que de outras empresas de internet – Vinton Cerf, Chris Messina entre outros.
Contudo, isso não quer dizer que, para conquistar e manter mercado, a Google não adote as mesmas táticas que Brin condena na entrevista. Nos últimos tempos, o Android tem se mostrado como uma estratégia restritiva para aumentar as barreiras de entrada do mercado de busca e de Adwords.
O teor da entrevista de Brin lembra parte das recentes discussões sobre a SOPA. É bem mais uma briga de lobbies – lobby das empresas de internet versus lobby das produtoras e dos estúdios de Hollywood – do que uma discussão efetiva sobre liberdade de expressão e o futuro da web.
Veja também: Confessionário de um Xoogler

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