Neste final de semana, Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, utilizou o respeitado programa 60 minutes, da emissora de TV CBS, para apresentar uma nova funcionalidade da plataforma de rede social. Por aí, a gente vê a influência atual do Facebook.
Também neste final de semana estreou no Brasil o filme The Social Network (A Rede Social), dirigido por David Fincher. Outro exemplo da importância atual da plataforma de rede social.
O filme conta a história de Zuckerberg nos primeiros dias como estudante em Harvard e sua motivação em deixar uma marca na Universidade, ser respeitado e aceito por seus colegas por meio do lançamento de um site, o Facebook.
Toda essa narrativa é intercalada com disputas judiciais e uma boa lavagem de roupa suja sobre quem realmente criou a plataforma de rede social.
“A Rede Social” é o típico filme que você vai assistir com um pé atrás, principalmente sabendo que é uma adaptação do livro “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich.
Além de mal escrito, o livro se propõe a contar a história do Facebook a partir de uma única fonte direta de informação – Eduardo Saverin, o brasileiro cofundador do Facebook que entrou em uma longa batalha judicial com Zuckerberg.
O próprio Mezrich já afirmou que o livro é cheio de especulação, repleto de “talvez” e “pode ser”.
Não é à toa que David Fincher, diretor do filme, mostra um Mark Zuckerberg com dificuldades de ter um relacionamento duradouro com garotas. Enquanto que o Zuckerberg da vida real, apesar da fama e de todo o assédio repentino, mantém até hoje o relacionamento com Priscilla Chan, que ele conheceu em uma festa logo no primeiro ano em Harvard.
Em outras palavras, “A Rede Social” não é um filme feito com base em um trabalho jornalístico preciso, de pesquisa apurada. É um filme semi-factual.
Dada a importância atual, acredito que o Facebook merecia mais.
Não acredito que será o melhor filme que retrata a geração nascida com o boom da internet. Para retratar a geração dos nativos digitais seria mais plausível um filme sobre a história da web.
“A Rede Social” não é um filme sobre a história da internet ou da web, mas sim a respeito do Facebook. A “geração internet” vai muito além de uma plataforma de rede social, que, por enquanto, está sob os holofotes da mídia.
Contudo, é certo que várias características da web e da “geração internet” estão presentes no filme. A não diferenciação de online e offline é uma delas. Se, no Facebook, você indica que está solteiro, é por que está solteiro mesmo. Saverin que o diga.
O conceito de efeito de rede (economia de escala) também está presente. Quanto mais pessoas usam o Facebook, mais valor, mais sentido há em utilizá-lo. Os cofundadores do site trabalham o tempo todo com isso.
A questão da perenidade do conteúdo também fica clara. Em um diálogo na metade do filme, Erica, fictícia namorada de Zuckerberg, diz que as coisas na internet não são escritas a lápis. Elas são eternas. Você não consegue apagá-las depois.
Aliás, o filme de Fincher é repleto de bons diálogos. Dava para escrever um post somente com as melhores frases do filme.
“A Rede Social” consegue cumprir o papel de mostrar para um público mais amplo o que é o Facebook. Duas características históricas da plataforma de rede social são retratadas.
A primeira delas – a preocupação de Zuckerberg para que o Facebook tivesse, desde o seu início, uma infraestrutura tecnológica superior às das plataformas concorrentes. Essa característica é apontada até hoje como um dos principais motivos do sucesso do Facebook.
Em um bate-boca com Saverin, Zuckerberg conta que o diferencial do site em relação ao Friendster e ao MySpace é justamente não cair, não ficar fora do ar, estar sempre acessível.
A segunda inquietação é em relação à velocidade. Zuckerberg sabe que, no mercado de internet, o fato de ser sempre o primeiro pode se transformar em uma vantagem competitiva. O cofundador mostra uma preocupação em colocar o mais rápido possível novas funcionalidades no ar.
Porém, ficam de fora outros aspectos históricos relevantes e que influenciaram o caminho trilhado pelo Facebook, como, por exemplo, o acordo fechado com a Microsoft, que garantiu 1,6% de participação para a empresa cofundada por Bill Gates.
E ainda – o fato da plataforma de rede social ter aberto o acesso público à API, permitindo que desenvolvedores construam novas redes e aplicativos em cima dela. Algo histórico e tão importante quanto criar o recurso de status de relacionamento – você pode indicar para os seus contatos se está solteiro, casado ou namorando.
Em “A Rede Social“, talvez por conhecer a história do Facebook, o que mais chamou a minha atenção foi a mensagem secundária do filme, sobre a importância da existência da mobilidade social em nossas vidas. É o que nos faz tocar a vida em frente e enfrentar desafios – o desejo de ser aceito, de ser respeitado entre os colegas, de mudar de vida (para melhor), de exclusividade.
Enfim, saber que é possível subir na vida.
Aliás, o próprio Facebook tinha como atrativo inicial justamente esse desejo humano de exclusividade. O Facebook era uma plataforma de rede social exclusiva dos alunos de Harvard. Somente estudantes com o email harvard.edu tinham acesso ao site.
É essa possibilidade de mudar de vida, de ser aceito, que motiva Zuckerberg e guia todo o filme. O que fica registrado numa determinada cena, quando ele grita com Saverin, ao telefone, questionando-o se ele quer voltar a ser o cara de antes, aquele cara rejeitado.
É também essa mobilidade social que mantém o mito em torno de Bill Gates, Sergey Brin e Larry Page, Steve Jobs, entre outros. Acima de tudo, essas pessoas são referências. Pessoas que mostram que o sonho americano ainda existe. De que com ousadia e persistência tudo é possível.
Para mim, a melhor cena do filme, a mais simbólica, é justamente a final, quando Zuckerberg deixa de ser criador para se tornar apenas usuário do Facebook. Talvez seja a cena que melhor resume o mito criado em torno dele. Zuckerberg é um cara que criou um “negócio genial”, mas ao apagar as luzes é um cara frágil, um cara normal como você e eu.
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