Quando parte da internet é apagada

Borracha

Jack D. Lail, diretor de inovação do jornal Knoxville News Sentinel, escreveu recentemente que a web está desaparecendo.

O alerta é sobre o fato de que em migrações de servidores ou de sistemas de publicação, jornais acabam perdendo conteúdo, que nunca mais será recuperado. Hoje é tão fácil arquivar informações, existem padrões abertos que permitem estruturar o conteúdo de forma a não perdê-lo em migrações, que a maioria dessas perdas acontece mesmo por falta de cuidado e visão dos jornais, de achar que a “notícia de ontem” não tem importância.

O alerta de Lail veio em boa hora principalmente depois que eu soube que a agência Espalhe teve o seu álbum de fotos deletado sumariamente do Flickr. Sem qualquer aviso prévio ou chance de fazer um backup mais detalhado do conteúdo que estava há anos no ar. Não é a 1ª vez que isso acontece.

Para completar, neste final de semana, devido a um suposto erro humano, o Twitter acabou suspendendo a conta de diversas pessoas. Ou seja, quase que uma parte da web, pequena, mas importante para as pessoas, foi apagada. A chiadeira foi grande. A promessa é que todas as contas suspensas sejam restauradas.

Se para uma pessoa física já é um transtorno ter a sua conta deletada ou suspensa, imagine para uma pessoa jurídica, uma empresa. Por mais irônico que seja, quanto mais esses serviços web ficam conhecidos, ganham escala, mais seus defeitos ficam evidentes. A possibilidade de não poder fazer backups de suas mensagens e contatos é um dos problemas que mais é realçado quando o Twitter deleta ou suspende sem querer contas.

identica_pqPara mim, essas pisadas de bola do Twitter e do Flickr somente deixam em destaque a importância do conceito por trás de projetos como o WordPress e Identi.ca. São projetos que ainda exigem um pouco de conhecimento técnico do usuário, mas que têm uma base tecnológica que dá mais autonomia.

O WordPress, voltado para blogs, é um projeto mais antigo. O Identi.ca funciona como uma instalação do WordPress, você instala o seu microblog em seu próprio servidor com o seu próprio domínio e não fica à mercê e com todos os seus dados nos servidores do Twitter.

Algo que parece ser mais pertinente e seguro para algumas empresas, principalmente para as que estão pensando em utilizar o Twitter como ferramenta interna ou um importante meio de comunicação. Além de permitir maior customização do blog ou microblog, os dois projetos permitem que os dados de contato e conteúdo fiquem em um servidor próprio com menos riscos de cortes acidentais.

Neste sentido, se a web caminha para mais segurança e autonomia total às pessoas, ao contrário de Twitter e Flickr, serviços como WordPress e Identi.ca naturalmente encampam bem mais essas duas bandeiras.

Veja também:
Na hora do aperto, microblogging é melhor que ligação de telefone

11 respostas a “Quando parte da internet é apagada”

  1. […] jornalista Tiago Doria amplia o assunto, falando também de um problema ocorrido com o Flickr. Não é o primeiro atrito com contas […]

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  2. Tiago, fiquei chocado com este post “How Would You Feel if Your Flickr Account Were Permanently Deleted?” e seus comentários que vc linkou.

    O que ficou claro com a suspensão das contas do Twitter é que, apesar de ser uma empresa muito mais jovem e infinitamente menor que o Yahoo, eles tomam muito mais cuidado com os bens (informações, contatos, links etc são bens preciosos) de seus usuários e, não os deletam sumariamente. Além disso, pedem desculpas pelo erro enquanto o Yahoo manda uma carta fria e que não resolve nada.

    abs!

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    Oi Tiago,

    Sábado agora, fiz um curso de movimentos históricos do cinema, no Paço da Liberdade em Curitiba, que por sinal vc estará numa palestra mês que vem naõ é? Bom, a professora é diretora da cinemateca daqui e ela disse uma coisa que a princípio não entendi muito bem. Ela foi categórica em dizer que sente uma enorme preocupação quanto ao armazenamento e preservação do que é produzido em cinema digital, mas, foi mais além e disse que, em termos de documentação mesmo, a confidencialidade e vulnerabilidade, de e-mails, de todo nosso tráfego web, é tão preocupante que, de uma forma um pouco exagerada é como se, ‘apagássemos’ nossa própria história, já que não há sequer um meio físico que possa demonstrar que existimos. Compreende? Aí me deparo com esse seu artigo e sabe de uma coisa, é como eu, não deletar meus 8 mil recados no orkut, pq acredito que talvez um dia isso possa ser interessante, mas e se daqui 15 anos, tudo aquilo sumir? Do que valeu meus contatos, histórias, pensamentos? Cadê meu registro, minha vida incluída ali! No meu blog, no meu twitter. Ainda bem que já escrevi cartaz, contos, poesias e outras coisas no papel, ainda bem 😛
    Abraço!

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    1. @Cristiano Hackl

      Sim, Cristiano, mês que vem estarei aí. Ótimo o seu relato. Essa questão é bem preocupante.
      Acho falta nós termos mais controle sobre os dados que postamos todo dia nas redes sociais, podermos fazer backup de tudo isso.

      abs

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  4. .

    … quis dizer cartas e não cartaz rsrsrs! E mais uma consideração, claro, existem ainda as fotos, rabiscos, mas tb há mt lixo por aí. Muito mesmo! Já assistiu A Máquina do Tempo, com o Guy Pearce? Para documentação, fragmentos ‘lixo’ não servem pra nada, se não pra criar um rebusco errado de nós. E eu não quero isso!

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  5. Essa história do Flickr deletado da Espalhe está meio mal contada…

    O fato é que ao criar uma conta você aceita as regras da comunidade e uma delas diz: “As contas do Flickr são para uso pessoal, para que nossos membros compartilhem fotos ou vídeos criados por eles. (…) Não use o Flickr para fins comerciais. O Flickr é somente para uso pessoal. Se você vender produtos, serviços ou você mesmo por meio da galeria, nós encerraremos a sua conta”. E a Espalhe é uma agência de publicidade. Pra bom entendedor…

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  6. .

    Bom, desde que comecei a usar internet, quantos e-mails já tive? Outro dia me lembraram do zipmail, lembra? Poxa, eu considero demais todas as coisas que saem da minha cabeça, que vão pra um papel, enfim. Acho que estou pirando demais com isso agora rsrsrsr! Adoraria que o orkut, por exemplo, gerasse um doc com todos os meus scraps! Mas fazer o que né!?

    Até,
    Cris!

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  7. .

    taidaí!

    Pra bom entendedor, tem tanta gente divulgando artesanato, fotos no campo e toyart que eu nem sei se no flickr tem alguma coisa que não seja pelo simples interesse de vender-se. De fotologs a web já esteve/está cheia.

    De qq forma, não há termo legal que me faça acreditar que dar um aviso, uma notificação possa ser tão difícil. “Em 15 dias sua conta será excluída caso seus arquivos não sejam removidos e atualizados apenas conforme especificações legais. Equipe Flickr”

    PRONTO!

    .

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  8. Avatar de Pedro Z. Malavolta
    Pedro Z. Malavolta

    Tiago,

    Há outros problemas que vão além da história recente da Internet. O fim do do geocities é algo também bem procupante.

    Por conta do meu trabalho fui pesquisar sobre Umbanda. A melhor base de dados sobre orixás na Umbanda estava num site do geocities! Anos luz melhor do que a versão na wikipedia.

    Participei de uma chapa para o DCE da USP que foi a primeira (pelo menos que a gente tinha noticias) de ter um site na campanha. Também vai sumir com o final do servidos gratuito do yahoo. Quem fez o site não tem mais o email da conta do serviço.

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  9. […] 2004 e 2005 – esses dias, como já escrevi aqui. Em cinco anos, muita informação some da Internet já sumiu. Mas muito conteúdo publicado na época em que Senhora do Destino foi ao ar permanece disponível. […]

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