
Nesta semana, a Amazon anunciou o lançamento do Kindle DX, a nova geração do leitor de ebook, uma espécie de iPod de livros. Tela maior (9,7 polegadas), melhor para a leitura, mais memória, novos acordos de conteúdo com parceiros.
Tamanho quase duplo, maior capacidade de armazenamento, o que lhe rendeu o apelido de “Big Mac Kindle“.
O lançamento não teria ganho tanto destaque se parte da indústria de jornais (NYTimes, principalmente) não tivesse feito tanto barulho tentando vender o Kindle DX como a “salvação para o jornalismo”.
Para mim, o efeito foi contrário. O que esse lançamento deixou mais evidente é que o Kindle DX não tem como foco principal os jornais, apesar da presença Arthur Sulzberger Jr, publisher e diretor do NYTimes, no lançamento do gadget.
Para começo de conversa, seu lançamento aconteceu numa universidade, os “usuários testes” do Kindle eram estudantes universitários e a Amazon já deu sinais claros de seu foco principal é no mercado de livros escolares e universitários. Os jornais fazem parte do acervo do Kindle, mas não é o foco principal.
A Amazon vai distribuir não sei quantos Kindles de graça de teste para alunos das universidades do Arizona, Case Western Reserve, Princeton, Reed, Darden School of Business e a Universidade da Virgínia, além disso está fechando parcerias com diversas editoras de livros didáticos.

Sem contar o endosso de especialistas na área, como o pessoal do blog Teleread, que cobre a área de ebooks desde os anos 90, que acredita que o Kindle terá um brilhante futuro no mercado educacional.
Para mim, o Kindle é, antes de tudo, um gadget voltado para especialistas, pessoas que precisam fazer consultas e andar com muitos livros de um lado a outro – estudantes, professores, jornalistas, pesquisadores.
Os jornais tentam vender como principal benefício de ler jornais no Kindle o fato de você ter mobilidade. Ter o jornal ao seu lado toda manhã, numa idéia meio nostálgica de querer reproduzir a sensação do jornal impresso num gadget e ter a “impressão de receber o jornal todo dia em sua porta”.
Não sei se todas as pessoas vão querer ter essa sensação ou, melhor ainda, sabem o que é ter essa sensação de receber jornal todo dia, como um assinante. A forma de consumir livros ainda é a mesma, mas a de consumir conteúdo noticioso mudou bastante.
Quem quer ter mobilidade vai acessar o jornal pelo celular ou laptop. E não a versão dos jornais no Kindle que é paga e não dá acesso a infográficos interativos e a vídeos, por exemplo.
Ou seja, a pessoa vai pagar mais por menos. Enquanto que no site do jornal, ele pode ter tudo isso e mais de graça.

É só fazer as contas, pagar US$ 489 (mais ou menos 1.100 reais) pelo aparelho, depois assinatura do jornal no Kindle… jornal caro esse, hein? É mais negócio comprar um celular que dá acesso a um conteúdo maior, vídeos, atualizados mais rápidos, incluindo os próprios jornais que estão no Kindle.
O site de mídia Gawker lembra que a indústria de jornal vem buscando qualquer coisa que represente publicamente uma salvação aos seus negócios. Uma hora é o sistema de micropagamentos que vai salvar os jornais, outra hora é o mobile, agora é o Kindle DX. Amanhã será outra coisa.
O que a indústria de jornais precisa é recuperar o espírito de inovação e criatividade que tanto a guiou em seu início. Característica que, diga-se de passagem, hoje está nas redes p2p, nos blogs, sites de vídeos e em alguns sites de notícias. O Kindle DX terá sim um público nos jornais, mas nada que salve a indústria.
O que o Kindle veio salvar mesmo foi o mercado de ebooks. Não dá para negar que até hoje é o mais bem sucedido na área.
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