O futuro dos jornais passa pelo Google e pela publicidade

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Essa foi uma das principais idéias que Eric Schmidt, diretor geral da Google, passou durante a sua apresentação no Encontro da Associação Americana de Jornais. Sua participação era bem aguardada devido aos últimos acontecimentos envolvendo a agência de notícias Associated Press e a visão negativa que os jornais impressos, em geral, sempre tiveram do Google.

Acompanhei a sua apresentação e as posteriores perguntas da platéia, formada por executivos da indústria de jornal, pelo liveblogging e a transmissão ao vivo de áudio que foi disponibilizada pela Associação em seu site nesta terça-feira à tarde.

Em uma comparação com o mercado televisivo (onde existe a TV a cabo, pay-per-view e TV aberta), o diretor da Google disse que existe espaço na internet para vários modelos – conteúdo pago, sistema de assinaturas e micropagamentos, mas que, para atingir o grande público, o modelo predominante nos sites de notícias será o de conteúdo gratuito sustentado por publicidade.

Ele acredita que a receita dos jornais com publicidade online vai aumentar (segundo ele os anúncios ficarão “mais interativos”).

Schmidt disse ainda que os jornais podem construir um novo modelo de produção junto ao Google, algo que vai além de apenas republicar matérias da edição impressa no online. Devem criar produtos que entreguem informação personalizada, que proporcionem uma “melhor experiência do usuário” e ajudem os leitores a irem além das simples manchetes, informação mais analisada, contextualizada e multimídia.

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E ainda. Deixou claro que foi-se o tempo em que as pessoas consumiam informação uma vez ao dia (de manhã acordo e leio o jornal, somente vou me informar à noite nos telejornais). Hoje com a internet esse consumo acontece num fluxo contínuo ao longo do dia (acesso o mesmo site de notícias várias vezes ao dia. Tenho contato com conteúdo jornalístico várias vezes ao dia pelo celular, emails, nas redes sociais).

Somente faço um adendo. Isso acaba com a noção de tempo, que por muito tempo guiou a produção jornalística (fechamento de edição, por exemplo). Além disso, esse comportamento de consumir e produzir informação, as notícias, de forma contínua, não veio com a internet.

Os canais 24 horas de notícias (CNN, GloboNews, Band News), por exemplo, de certa forma, já trabalhavam e ainda trabalham em cima desse conceito de fluxo contínuo de informação, que depois foi ratificado com a chegada dos portais de internet.

Em resumo, pelo que percebi Schmidt (foto acima) não apresentou nenhuma solução concreta para a crise nos jornais. Sua apresentação não trouxe novidades, mas, nas entrelinhas, deixou a sua visão e como consequência também da Google sobre o futuro da indústria de jornais, que é a seguinte:

O jornalismo em si não está morrendo, mas o uso do jornal-papel como principal meio para entregar informação e o método de produção jornalística como se as pessoas consumissem informação uma vez ao dia é que estão chegando ao fim.

Esse primeiro não pode morrer, é necessário para a democracia e a liberdade de expressão, e terá uma longa e nova vida na internet, sustentado por publicidade (e, claro, com a ajuda da Google).

4 respostas a “O futuro dos jornais passa pelo Google e pela publicidade”

  1. […] geração terá jornalismo irreconhecível’ Combalidos, impressos reagem O futuro dos jornais passa pelo Google e pela publicidade Buscadores e agregadores de notícias sob […]

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  2. […] e é bem emblemático para quem é acostumado a consumir notícias por meio da web. Além da apresentação do diretor geral da Google, o principal assunto dessa semana nos sites de mídia é o ataque aos […]

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  3. […] que Eric Schmidt, diretor-geral da Google, deu a bênção, ao afirmar que conteúdo pago por assinaturas pode coexistir com modelos gratuitos na internet,  […]

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  4. […] a empresa de busca acredita que o futuro do jornalismo passa pela publicidade online, Murdoch, diretor da NewsCorp (WSJ, Fox, Myspace), pensa de forma contrária. Apesar dos […]

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