
A ameaça foi lançada. A agência de notícias Associated Press anunciou que planeja mover junto com alguns jornais impressos uma “ação agressiva” contra sites que usam o seu conteúdo de forma inapropriada, utilizam trechos, manchetes e citações sem autorização.
Entre os que serão afetados entenda-se sites que atuam como agregadores de informações (The Huffington Post, Mahalo, ShortFormBlog) e buscadores de notícias (Google News). A Google tem uma parceria com a AP, mas que vai se encerrar no final deste ano. Segundo um executivo da AP, apesar do acordo, a Google vem usando o conteúdo da agência de “forma inadequada”.
A priori, a idéia da AP é a mesma do Financial Times, utilizar uma tecnologia que rastreie a web e descubra quem está republicando sem autorização as suas matérias e artigos.
A decisão parece ser um verdadeiro tiro no pé, pois a sua concorrente mais próxima, a agência de notícias Reuters, oferece quase o mesmo conteúdo de graça na web e ainda com acesso a API, o que permite que as pessoas mesclem o material da agência com outros conteúdos.
Aliás, ao contrário da AP, a Reuters há muito tempo já percebeu que para uma empresa de mídia não basta entregar/distribuir informação. Vem atuando em várias frentes como softwares que trabalham com semântica nas notícias e análise de grandes quantidades de informação financeira.
Porém, não dá para negar que a internet está sendo uma verdadeira faca de dois gumes para o modelo de negócio das agências de notícias: se você fecha o conteúdo, ganha receita com assinaturas, mas perde audiência e relevância. Se você abre o conteúdo, ganha audiência e relevância na rede, mas perde a receita com assinaturas e de fornecedor passa a ser visto como concorrente por seus clientes (sites de notícias que assinam os serviços da agência).

Nessa história toda, a AP ignora que esses agregadores e buscadores de notícias surgiram devido a uma demanda natural.
No meio da avalanche atual de conteúdo, onde muitas vezes essa quantidade enorme de informação vira um amontoado de ruído, o trabalho desses agregadores, curadores de conteúdo, é essencial.
São como filtros. Eles ajudam o leitor a encontrar a informação necessária de forma mais rápida e precisa. Junto com os buscadores de notícias fazem parte do processo natural da web.
Se essa suposta “ação agressiva” atrapalhar o funcionamento do Google News, do ShortFormBlog ou do The Huffington Post, vão surgir outros agregadores e buscadores de notícias feitos por leitores, pessoas comuns, por que são algo que é necessário e vital no atual ecossistema de informação.
A importância é tanta desses sites com caráter de curadores de conteúdo que o Washington Post correu atrás para ter um, o Political Browser, a Fox tem outro, o The Fox Nation, e o NYTimes segue pelo mesmo caminho com a sua política de linkar para outros sites de jornais.
No final das contas, é mais fácil a Associated Press chegar ao fim do que os agregadores e buscadores de notícias.
(Atualização) – Saiu uma resposta oficial da Google sobre o caso. Segundo a empresa, o Google News é parte da solução para os jornais. O sistema de busca de notícias, na verdade, ajudaria a enviar tráfego para os sites de jornais, sejam eles grandes ou pequenos.
Nesta terça-feira, acontece a esperada apresentação de Eric Schmidt, CEO da Google, no Encontro da Associação Americana de Jornais.
Crédito da foto: MJB
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