O pensamento vivo da Apple

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Como pensa o cofundador da Apple, empresa que lançou o iPod, o qual caminha para ser o aparelho eletrônico mais vendido de todos os tempos? Por qual motivo a Apple vem crescentemente pegando a fatia de mercado da Microsoft em algumas importantes áreas?

Foi por causa de algumas dessas perguntas que me motivei a ler A cabeça de Steve Jobs, 263 páginas, da editora Agir, escrito pelo jornalista Leander Kahney, autor do blog Cult of Mac. Produzido em 2008, o livro disseca a personalidade do cofundador da Apple.

Na edição final, a obra ficou muito com cara de auto-ajuda empresarial. Porém, o que Kahney faz, em resumo, é explorar toda a história, cultura e estratégias de mercado da empresa, tendo como desculpa falar da personalidade de Jobs, que se torna pano de fundo.

Semelhante à Wired, revista da qual é editor do respectivo site, Kahney dá uma dimensão grande a fatos pequenos e trabalha com muitas informações em off (de bastidores), o que é bom e, ao mesmo tempo, ruim para o seu livro – em certos momentos, alguns de seus argumentos ficam um pouco vagos.

E semelhante a todo livro com informações de bastidores tem algumas curiosidades (desconhecidas do grande público).  O iPod, um dos produtos da Apple feitos no mais absoluto segredo (de 7 mil funcionários, apenas 50 sabiam do projeto), tem como principal atrativo não a capacidade de armazenar uma grande quantidade de música (outros players de música já tinham esse diferencial), mas a possibilidade de poder navegar pelas músicas.

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Não é sem motivos que a Apple investe nessa questão. Primeiro com a click wheel e agora com o novo iPod Shuffle, lançado recentemente, que fala os nomes das músicas.

E ainda. O cabo de energia do Mac, que possui um imã em suas pontas de encaixe, foi inspirado nas panelas de arroz japonesas que possuem o mesmo detalhe. Caso alguém tropece no cabo de energia do Mac, não existe o perigo do computador ir ao chão. O cabo se destaca facilmente do computador.

No geral, o livro não traz nenhuma novidade factual bombástica, ratifica mais alguns aspectos que eram evidentes e que já foram explorados em reportagens da própria Wired e em revistas concorrentes.

A Apple não é uma empresa inovadora no sentido de criar novas tecnologias. Ela mais populariza/torna acessível do que propriamente cria novas tecnologias, o que, a meu ver, não tira a sua importância, vide a tecnologia de touchscreen (tela sensível ao toque de mão), que não foi criada pela Apple, mas popularizada por meio do iPhone.

E o iPod que não foi gerado na Apple. Seu projeto básico foi comprado de uma pequena empresa do Vale do Silício chamada Portal Player, que, há pouco tempo, havia criado um “player portátil de música do tamanho de um maço de cigarros”.

No entanto, a parte mais interessante é quando Kahney busca dissecar por que a Apple, de forma crescente, vem retirando espaço da Microsoft na área de sistemas operacionais de computadores pessoais e domésticos. Não é uma questão de software (as duas empresas trabalham com código fechado), mas de uma antiga diferença de visão de mundo e que começa a se refletir agora.

Lá atrás, enquanto a Microsoft via os computadores como ferramentas do ambiente de trabalho. Jobs previu que, com o crescimento da internet, os computadores deixariam de estar ligados a trabalho para serem vistos como centros de entretenimento (ver DVD, ouvir música etc).

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Essa diferença de visão é bem evidente se olharmos para o “killer app” de cada um (programa fundamental, carro-chefe de um equipamento). Enquanto no Windows o carro chefe é o Office (ligado a trabalho, claro), no Mac é o iMovie, o software de edição de vídeo conhecido por sua simplicidade e associado a entretenimento.

Nesse sentido, a visão estratégica da Apple tem bastante a ver com a forma com que a web evoluiu nestes últimos 20 anos (algo que já comentei por aqui), de ser somente associada ao ambiente de trabalho e área acadêmica para estar ligada a entretenimento e consumo de mídia.

Por isso que a Apple parece ser a empresa mais conectada com os tempos atuais, pois lá atrás viu os computadores como meios de entretenimento e aparelhos domésticos. E o livro de Kahney é o que melhor descreve atualmente a personalidade do cofundador e da cultura dessa empresa, de sempre crescer nas brechas, evidenciando as diferenças de visão de mundo em relação aos concorrentes.

Crédito das fotos: shapeshift juanpol e reprodução da capa

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14 respostas a “O pensamento vivo da Apple”

  1. bem legal, mas que essa capa do livro me lembrou e muito o Windows Vista, ah, isso lembrou sim, hehe!

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  2. Estou lendo o livro… gostei bastante do que vi até agora.
    Recomendo também.

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    1. @Julio

      Opa, é uma boa mesmo. Acho que vou fazer antes do livro “Startup” e depois do “Culto do Amador”.

      abs

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  3. Também estou lendo o livro. Muito bom mesmo… Adotarei os seus pensamentos e estratégias empresariais…. srsrsr

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  4. O livro é bom, mas a tradução ….
    Li o livro. Não vou dizer que é ruim. O problema foi o formato que tentaram dar ao livro, com dicas de liderança ao final de cada capítulo: coisa do tipo auto-ajuda empresarial. Isso atrapalhou um pouco. Por outro lado, o livro é fantástico ao narrar como foi o planejamento de cada produto da apple, coisas do tipo “de onde vem o termo ipod”, como projetaram o OS, etc. Vale a pena ler, mesmo aguentando alguns errinhos na tradução. Se você é macmaníaco, como eu, não “perda” esse livro.
    Abraços.

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    1. @Sergio Fonseca

      Não gostei muito do formato final também. Ficou com cara de manual de liderança.

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  5. Eu estou lendo o livro também e tive a mesma impressão que vocês, do quesito auto-ajuda. Mas ainda assim, como gosto bastante de tecnologia, é muito legal ver o que aconteceu com a Apple e que a tornou a gigante que é hoje.

    Eu vi o Filme piratas do vale do silicio, ouvi o nerdcast sobre o assunto e agora estou lendo o livro. Uma overdose de Apple e Steve Jobs 🙂

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  8. […] também dois posts sobre o livro, do Julio Daio Borges, do Cris Dias e do Tiago Doria. Veja também o site oficial do livro, edição brasileira. Para contratar o CEO da PepsiCo, […]

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  9. […] Veja também: O pensamento vivo da Apple […]

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