Boston está se firmando como uma referência mundial quando o assunto é uso de tecnologia da informação e de dados abertos. O interessante é que esse reconhecimento não é somente no setor privado (Oracle, Microsoft, EMC e SAP têm escritórios por aqui), mas também no público.
Recentemente, a Prefeitura de Boston ganhou o CIO 100 Award Honoree, que homenageia as 100 organizações mundiais que melhor trabalham com as tecnologias da informação como fator de geração de valor.
Por trás dessa revolução no setor público da cidade está o cientista brasileiro Álvaro Lima, radicado há 25 anos nos EUA, e com 8 anos, aproximadamente, à frente das pesquisas sócio-econômicas da Prefeitura de Boston.
O departamento no qual o pesquisador trabalha é responsável por analisar, pesquisar e guiar mudanças físicas, sociais e econômicas nas comunidades de Boston. É um setor que, atualmente, trabalha muito com dados e tecnologias abertas de informação.
Lima esteve junto a criação de alguns projetos importantes:
1) Map My Neighborhood, ferramenta de visualização de dados que plota num mapa todos os dados sobre os últimos censos da Prefeitura.
2) Concurso que elegeu os melhores aplicativos capazes de melhorar a vida na cidade. Um dos aplicativos mais utilizados pelos moradores é o Citizens Connect, no qual as pessoas podem enviar fotos de buracos e placas de rua danificadas à Prefeitura, que tem o prazo, de no máximo 48 horas, para resolver o problema.
Na última quarta-feira, visitei o Departamento de Pesquisa da Prefeitura de Boston, tendo o próprio Lima como anfitrião.
O que ficou evidente para mim é que esse processo de digitalização e uso de dados e aplicativos no setor público não teve início de uma hora para outra. Na realidade, existe todo um processo histórico, de pesquisa e criação de senso de cidadania.
Por exemplo, logo num dos meus primeiros sábados em Boston, vi algumas pessoas andando de Segway na rua. Pensei que fossem guardas, mas, na realidade, era um grupo de moradores que, de forma voluntária, se juntava e andava pela cidade para ver se tudo estava ok – ruas limpas, semáforos funcionando, jardins bem cuidados, serviços públicos em perfeito funcionamento.
O pesquisador brasileiro acredita que isso acontece em Boston porque os princípios da Revolução Americana ainda estão muito presentes na região. Outro motivo são as dimensões dos bairros, que são pequenas, facilitando assim uma independência maior dos mesmos e uma eficiente colaboração dos moradores.
Ou seja, por trás dessa digitalização da cidade, houve antes de tudo uma mudança de processo. O uso da tecnologia foi consequência dessa modificação.
A Prefeitura, por exemplo, passou a trabalhar com tecnologias de dados abertos como uma forma de otimizar os processos e retirar o trabalho burocrático das costas (as próprias pessoas vão no site da prefeitura e acessam os dados públicos).
Foi muito bom ouvir esses detalhes de quem está dentro de toda essa dinâmica.
Lima é também uma das principais referências nos EUA a respeito de comunidades de imigrantes, inclusive tem um estudo bem completo sobre brasileiros que moram nos EUA (vale dar uma olhada aqui).
Logo depois do nosso bate-papo na Prefeitura, fomos jantar no Union Oyster House, restaurante mais antigo dos EUA, fundado em 1826.
Nos andares superiores do prédio (onde está o restaurante), foi publicado, em 1771, o “The Massachusetts Spy“, considerado o primeiro jornal dos EUA.
Além de ter uma boa comida, o Union Oyster House emana história. Aliás, essa é uma das coisas mais bacanas aqui de Boston, os lugares são carregados de história.
Segue abaixo o bate-papo com o cientista brasileiro Álvaro Lima, Diretor de Pesquisas da Prefeitura de Boston. O pesquisador conta detalhes dos projetos na Prefeitura, uso de tecnologias, além de sua trajetória profissional até o cargo de Diretor de Pesquisas.


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