Boston: a capital mundial dos dados

Boston é conhecida por sua movimentada vida acadêmica (MIT e Harvard estão aqui) , museus famosos e por sua arquitetura, formada por prédios com fachadas de tijolos marrom-avermelhados, resultado da forte influência inglesa (não é à toa que a região é chamada de “Nova Inglaterra”. A Revolução Americana teve início aqui).

Entretanto, a cidade está, silenciosamente, perdendo essa imagem. Boston quer se tornar o centro de outra revolução, da revolução de dados. A movimentação para essa mudança segue a passos largos, dia e noite.

Para vocês terem uma ideia, a região de Boston possui mais de 120 empresas dedicadas à análise, “raspagem” e mesclagem de dados. Algumas das mais importantes empresas de software de dados para área de marketing, como HubSpot e DataXu, também estão por aqui. Fácil-fácil em eventos sobre tecnologia, você pode se encontrar com grandes nomes da tecnologia de banco de dados, como Michael Stonebraker (Postgres), Jim Starkey (InterBase) e Alex Pentland (MIT).

O total de pessoas empregadas na indústria local de dados passa dos 70 mil, entre cientistas de dados, matemáticos, gerentes de produtos etc.

Boston não está virando um “centro da cultura de dados” à toa.

A movimentada vida acadêmica ajuda bastante. Pessoas com títulos de mestrado e doutorado não limitam as suas atividades a ministrar aulas e dar orientações, mas a trabalhar no próprio mercado. Muitos têm a sua própria startup e consultoria, gerando, assim, um cenário alinhado entre mercado e academia.

O governo local também tem a sua cota de participação. Em maio, o governador de Massachusetts Deval Patrick anunciou o “Massachusetts Big Data Initiative“, uma série de diretrizes para tornar o Estado uma referência em Big Data. O plano une academia (MIT, Universidade de Boston) a empresas (Cisco, EMC) e prevê programas de estágios e patrocínio de eventos ligados ao tema.

Para quem deseja montar uma startup de dados, o terreno em Boston é fértil. Os investidores e empreendedores daqui têm uma mentalidade um pouco diferente da do Vale do Silício – são mais pragmáticos e focados. Preferem investir em startups que tenham um retorno mensurável, o que é uma boa oportunidade para empresas iniciantes focadas em resolver problemas reais de clientes.

Em 2011, foram investidos US$ 350 milhões em startups de dados.

Outra vantagem de estar em Boston é que fica mais explícito o porquê desse burburinho de diversas áreas em torno da questão dos dados.

O que está acontecendo é que, desde os anos 80, as empresas privadas e os órgãos públicos estão passando por um processo histórico de racionalização da gestão, valorizando evidências em vez de intuição. A tendência é as decisões serem cada vez menos personalistas, principalmente depois da crise financeira de 2008. O dinheiro está mais curto, o risco é maior e o tiro precisa ser mais certeiro. Os dados, no caso, são o principal meio para tomadas de decisões mais racionais e menos fora de foco.

Essa visão a respeito das decisões é interessante, pois vê a tecnologia de dados como um meio e não um fim em si mesma. Na realidade, o que está acontecendo é uma mudança no processo de decisão das empresas privadas e públicas; e os dados são o meio, a base, para que essa mudança aconteça.

Dá para perceber que a empolgação é grande por aqui. Mesmo sendo um cara de fora da região, é quase impossível não se contagiar por ela. Existe até um papo de que Boston voltará com tudo ao cenário global, depois que, nos anos 70, a cidade foi o epicentro mundial da “revolução dos minicomputadores“.

É uma empolgação que promete não virar fumaça. Se depender dos processos que vêm se desenvolvendo aqui, alinhando governo, academia e setor privado, Boston, famosa por seus museus e prédios de tijolinhos vermelhos, será conhecida, em muito breve, como a “capital mundial dos dados”.

Um exemplo para as principais cidades brasileiras?

Uma resposta a “Boston: a capital mundial dos dados”

  1. Avatar de Demétrio Sobrinho
    Demétrio Sobrinho

    Legal Tiago, parabéns pela a realização do sonho, bons estudos e não esquece o blog. Precisamos de seus textos.

    abraço de um leitor antigo.

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