
Enquanto estive fora de radar na última semana, aconteceu um debate na web sobre o quanto as plataformas de redes sociais devem se tornar cada vez menos dependentes da receita via publicidade.
Dalton Caldwell, criador do site de música Imeem, publicou um texto afirmando ser um desserviço, além de desacelerar a inovação online, a cultura de acreditar que serviços sustentados por publicidade é o único caminho possível.
Caldwell cita o exemplo do Twitter. Depois que passou a adotar o modelo de receita via publicidade (somente), a empresa começou a deixar a experiência do usuário em segundo plano (inserir publicidade no meio da timeline) e a restringir o uso de sua base de dados (o Twitter anunciou uma série de restrições no uso da API).
Como provocação, o empreendedor lançou a proposta de uma rede de microblogs paga, mas livre de anúncios e aberta a desenvolvedores. O post de Caldwell abriu espaço para discussões sobre modelos de receita na web.
Em realidade, a discussão não é sobre saber se as pessoas querem ou não pagar para utilizar um site, mas afinal que tipo de produto são as plataformas de redes sociais – plataformas de conteúdo ou utilitários de comunicação?
Plataformas de rede social são um utilitário de comunicação, como um telefone, ou uma plataforma de conteúdo, igual a uma CNN?
A pergunta faz sentido, pois os dois posicionamentos têm formas diferentes de gerar receitas, expectativas e experiências de uso.
Nada impede de um produto ser as duas coisas ao mesmo tempo, mas, historicamente, se você se posiciona como um utilitário de comunicação gera receita por meio de “serviços adicionais”. É meio difícil imaginar um anúncio entrando no meio de uma ligação telefônica, por exemplo.
Por outro lado, se você se coloca como uma plataforma de conteúdo produz receita lançando mão de publicidade ou assinaturas.
Essa discussão sobre os dois posicionamentos é antiga na web e ronda há um bom tempo as plataformas de redes sociais.
Esse foi o grande racha interno entre os cofundadores do MySpace e a diretoria da NewsCorp. Para os executivos do MySpace, o grande lance da rede social era permitir a comunicação simples e direta entre músicos, gravadoras e fãs. Era um utilitário. Já a diretoria da NewsCorp acreditava que o MySpace era uma plataforma de conteúdo. O foco deveria estar nos anunciantes.
Recentemente, o Twitter entrou em um debate interno. Uma turma entendia que o Twitter era um utilitário (igual a um serviço de email). E outra que era uma plataforma de conteúdo (o Google Adsense era um modelo de receita a seguir). Apesar de não produzir nenhum conteúdo e de grande parte das informações que circulam pelo Twitter poderem ser encontradas em outros lugares, em 2010, o serviço de microblog acabou com o debate e se posicionou oficialmente como uma empresa de conteúdo. O grupo da convicção de que o Twitter deveria ser um utilitário acabou saindo da empresa.
No Facebook, as coisas não são diferentes. Neste ano, a empresa começou a testar outros modelos de gerar receitas, como a venda de “serviços adicionais”.
O artigo de Caldwell reflete dois movimentos atuais. Primeiro, o questionamento da monocultura de que existe somente o modelo de receita via publicidade. Segundo, uma crescente conscientização por parte dos usuários de que não existe almoço grátis na web. Alguém sempre tem que pagar a conta.
O post de Caldwell não acabará com esse velho debate/conflito (utilitários vs plataformas de conteúdo), mas ajuda a lançar uma provocação para novos empreendedores que estão chegando agora no mercado.
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