Startup de jornalismo transforma celulares em "radares"

Comentei outro dia sobre os celulares serem cada vez mais usados como “radares”, captando diversos dados sobre as pessoas e o ambiente à sua volta – temperatura, sons, luz, movimentos.

Dando uma olhada nos vencedores deste ano do Knight News Challenge, que premia os projetos mais inovadores na área de jornalismo, descobri que um dos vencedores é justamente uma startup que trabalha com essa questão – a Behavio.

A startup criou um framework para o desenvolvimento de aplicações que explorem ao máximo as tecnologias de sensores embutidas nos celulares.

Dessa forma, um celular seria capaz de coletar informações sobre as pessoas e o ambiente à sua volta. Os dados seriam coletados por meio das diversas tecnologias existentes nos aparelhos mais recentes – sensores de temperatura, luzes, localização (GPS), som e movimentos.

As informações seriam utilizadas para entender melhor as tendências e o comportamento de pessoas e comunidades inteiras.

A Behavio parece ser interessante por dois motivos. Primeiro – trabalha com uma ideia já discutida na área de TI – conectar tecnologias de sensores a grandes bases de dados. Segundo – traz uma visão diferente para o campo do jornalismo, no qual os dispositivos móveis geralmente são vistos somente como uma forma de entregar conteúdo e não de captar informações.

De certo modo, a startup é uma tentativa de implementar o conceito que Eric Paulos, professor de Ciência da Computação da Universidade de Carnegie Mellon, explorou em um artigo de 2009 sobre o uso dos dispositivos móveis como ferramentas de pesquisa científica. Com a proliferação de sensores embutidos, os celulares poderiam ser utilizados, em conjunto, como um supercomputador coletivo, coletando informações sobre diversos ambientes.

No caso, a Behavio auxiliaria o trabalho de jornalistas em descobrir tendências de comportamento em comunidades.

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