Muito além de dispositivos de comunicação

Pesquisadores do MIT divulgaram nesta semana um vídeo que mostra o uso dos celulares como os fictícios tricorders, capazes de detectar sinais vitais. Basta apontar a câmera de um iPhone para o pulso de uma pessoa que você saberá o ritmo de batidas do coração. Uma mão na roda para ações de primeiros-socorros e o acompanhamento de tratamentos médicos.

No mesmo período, a Technology Review, publicação do MIT, reportou que a Microsoft licenciou uma patente que permite o uso do Kinect, do Xbox 360, como dispositivo capaz de detectar o seu humor e o estado do ambiente à sua volta e, desse modo, exibir anúncios personalizados na TV.

Apesar da crise que assola a empresa, a Nokia tem um dos laboratórios de pesquisa mais ativos. Os pesquisadores estariam desenvolvendo um aplicativo para celular capaz de detectar as condições do meio ao redor do usuário e, assim, adaptar a utilização do aparelho – recomendar notícias, aplicativos, desligar ou ligar funções adequadas ao momento.

O que essas três notícias têm em comum (não vou nem comentar sobre as diversas startups de hardware que estão no Kickstarter) é registrar o uso crescente dos dispositivos como coletores e editores de informações. Com sensores embutidos de temperatura, localização, reconhecimento facial, som e movimentos, os dispositivos tendem, cada vez mais, a influenciar o conteúdo que consumimos de acordo não somente com o tipo, mas também com a situação do ambiente.

Em outras palavras, cada vez mais as tecnologias de sensores fazem parte do nosso dia a dia, o que promete mudar não apenas o “quando”, mas o “como” e o “o que” de uma informação será entregue. Informação que pode ser desde comercial (anúncios na TV) até jornalística (notícias).

Em 2009, o professor Eric Paulos, na época pesquisador do laboratório da Intel na Universidade de Berkeley, nos EUA, escreveu um artigo seminal no qual comentava: com a proliferação de sensores embutidos em dispositivos, populações inteiras poderão realizar pesquisas científicas.

No caso dos celulares, em conjunto, eles poderiam ser utilizados como um supercomputador coletivo, coletando informações sobre diversos ambientes. Mais ou menos como os dados de busca do Google, que já são utilizados para prever epidemias de gripes.

O pesquisador vê tecnologias – TVs e celulares – como “sensores pessoais”, capazes de realizar coletas de dados e promover ações coletivas. Enfim, a brincadeira relacionada a tecnologias de sensores embutidas em dispositivos estaria apenas começando.

O detalhe é que, no caso dos celulares, eles ainda são classificados como dispositivos de comunicação. Uma definição que, cá entre nós, não comporta mais.

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Crédito da foto: JcOlivera

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