"Platform agnostic" é balela?

As empresas de mídia devem se comprometer com a plataforma de distribuição de conteúdo que melhor conhecem e tenha a ver com o seu negócio. Não devem distribuir o seu conteúdo indiscriminadamente em todas as plataformas.

Em vez de serem “platform agnostic“, as empresas de mídia precisam ser “platform committed”. Quem faz a afirmação é Jason Pontin, editor chefe da Technology Review, publicação do MIT, em entrevista à Beet.tv.

Para Pontin, as empresas precisam criar conteúdo que seja otimizado e comprometido com a plataforma de distribuição.

Platform agnostic é um dos conceitos mais mal compreendidos na área de mídia. É uma ideia muito mais voltada para a área de negócios do que a de conteúdo.

Pontin não está errado. Realmente, cada plataforma tem o seu próprio universo e as suas características. É bem diferente criar uma revista para ser vista no tablet e outra para ser lida em uma versão impressa. Essa questão precisa ser respeitada.

Contudo, quando o conceito de “platform agnostic” começou a ser utilizado há 5 nos, ele servia muito mais como um alerta para que as empresas de mídia não caíssem no que a pesquisadora Dorothy Leonard Barton, professora de Harvard, chama de rigidez de competências – após anos de excelência e notoriedade, fica difícil para uma empresa abandonar uma competência tecnológica, algo comum de acontecer em organizações que confundem objetivo do negócio (missão tecnológica) com a tecnologia (plataforma utilizada).

Para Barton, isso teria acontecido com a indústria musical que não soube diferenciar o objetivo do negócio (fornecer experiência musical) da tecnologia/plataforma utilizada (CD). O receio era o que poderia acontecer com alguns protagonistas da indústria de jornal, que não saberiam mais se a sua missão é “filtrar, analisar, interpretar informação” ou “fazer jornal de papel”.

Quando utilizado na área de conteúdo, é normal que o conceito de “platform agnostic” gere confusão, passando a visão errônea de que o mesmo conteúdo deve ser levado a todas plataformas, sem considerar formatos e características de cada uma.

Veja também: Quando o conhecimento atrapalha e ajuda

Uma resposta a “"Platform agnostic" é balela?”

  1. Muito importante esse post Tiago.

    Acredito que cada vez mais as empresas criem sua estratégia digital baseadas em seus objetivos de negócio e nao apenas por decidirem usar uma tecnologia específica ou outra para seguir sua concorrência.

    Li um post muito interessante hoje, onde a 4ormat (uma start-up para portfolios online) economizou $100.000 e acelerou seu processo de desenvolvimento em meses por decidir nao suportar IE (link para o post abaixo)

    Bootstrapped Startup Saves Over $100K By Dropping IE

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