Tecnologia de banheiro em alta

Por essa nem Steve Jobs esperava. O banheiro pode se tornar a última fronteira da revolução digital.

Cada vez mais, o banheiro disputa com a sala de estar o título de próximo ambiente a ser afetado pelas tecnologias emergentes. Se na sala de estar, a disputa é entre Microsoft, Google e Apple; no banheiro, empresas como Toto, Kohler e Panasonic tentam dominar o mercado.

Algumas invenções high-tech para banheiro até fazem sentido, como um chuveiro com rádio e player de MP3 (para quem gosta de cantar no banho) ou um vaso sanitário que funciona por meio de sensores de movimento ou comando de voz, evitando assim o contato manual (útil e higiênico para banheiros públicos).

Outras, no entanto, parecem estar fora da curva, como um vaso sanitário que faz massagens e outro que toca uma música toda vez que você levanta a tampa do assento.

Na Ásia, o mercado de tecnologia para banheiro cresce a 25% ao ano. A revista Appliance Magazine, especializada em produtos domésticos, já decretou que o banheiro é a última fronteira da revolução digital.

Nos EUA, a tecnologia de banheiro ganha cada vez mais espaço em resenhas de blogs de tecnologia e editorias de informática de jornais.

Há 2 motivos para esse burburinho. O primeiro é comportamental. Cada vez mais, os banheiros são vistos como um ambiente de relaxamento e refúgio.

O outro é estratégico. Empresas japonesas, tradicionais neste tipo de tecnologia, resolveram expandir os seus mercados. Algumas começaram a invadir o mercado americano.

O Brasil não fica de fora dessa. A marca japonesa Toto entrou neste ano no mercado brasileiro, com vasos sanitários futuristas.

Semelhante a outras tecnologias de ruptura, os vasos sanitários high-tech emergem com alto custo – em média, US$ 6 mil, quase 12 mil reais.

Sam Grobart, editor de tecnologia pessoal no NYTimes, fez durante um mês as suas necessidades num vaso sanitário deste tipo. O jornalista mandou instalar em sua casa, em Nova Jersey, um vaso Numi, da empresa Kohler.

O primeiro detalhe é que Grobart precisou não somente de um pedreiro, mas também de um eletricista. Você precisa plugar o vaso na tomada.

Para o jornalista, o recurso mais interessante é o painel LCD, que permite que você crie preferências para cada pessoa da família – tipo e volume da descarga, temperatura da tábua do assento, além da opção de ouvir música ou notícias enquanto está sentado no vaso.

Segundo Grobart, o único problema foi ter que reiniciar o vaso sanitário. Num dia qualquer, simplesmente o computador embarcado no vaso travou.

Você deve estar se perguntando, por que uma pessoa compraria um vaso sanitário cheio de botões e recursos? A explicação é simples. Semelhante a outras tecnologias, a de banheiro é capaz de, por meio do uso progressivo, condicionar a expectativa do usuário.

Exemplo: depois de usar progressivamente tecnologias sem fio, dificilmente você utilizará produtos com fio. Ou seja, a tecnologia condicionou a sua expectativa. Daqui para frente, você sempre vai querer produtos sem fio.

No caso do vaso sanitário high-tech, o princípio é o mesmo. O que antes parecia desnecessário torna-se algo que você não viveria sem.

Portanto, da próxima vez que você avistar um vaso sanitário cheio de luzes e botões, tente segurar a risada. Talvez, daqui a alguns anos, esse apetrecho seja tão normal quanto “qualquer pessoa andar com um telefone no bolso”.

Veja também: Não percebemos, mas podemos controlar o futuro

4 respostas a “Tecnologia de banheiro em alta”

  1. Avatar de Claudio Rossetto
    Claudio Rossetto

    Eu acho que banheiro não tem que mudar em nada o único lugar da casa que é sossegado é no banheiro o resto tem computador na sala, no quarto, na cozinha, no corredor. O banheiro para mim é o lugar para relaxar e para estravassar nossas energias. Nada como uma evacuação bem nada e na hora certa e para isso que o banheiro serve o resto é resto.

    Curtir

  2. Cada vez mais, os banheiros são vistos como um ambiente de relaxamento e refúgio.

    No seu livro “Caça aos robôs” – Isaac Asimov projetava um futuro distante, com um planeta superpopuloso, com banheiros coletivos (denominados “Pessoais”) – onde era de absoluto mau-gosto as pessoas conversarem (nos banheiros masculinos). Nos banheiros femininos, o papo rolava solto.
    A vida real reconfirma a ficção – banheiros que se transformam em refúgios propícios ao relaxamento – e nessa trilha, vem a parafernália toda.
    Uma observação curiosa – a palavra paraphernalia foi um neologismo criado pelos astronautas do Projeto Apollo, referindo-se ao aparato tecnológico que os circundava, o tempo todo. Portanto, muito adequado a um banheiro que, talvez, morda.

    Curtir

  3. Avatar de Durval Santos de Sousa
    Durval Santos de Sousa

    Eu particularmente, acho a ideia do vaso interessante, no entanto do meu ponto de vista como empresário,professor de alunos especiais e consultor de acessibilidade urbana e inclusão social, acho que se pode avançar um pouco mais, pois os banheiros ao invés do vaso deveriam ser todo acessivel, por exemplo ao se abrir a porta ele informar:onde está o vaso o lavatório o chuveiro e outros acessórios, isso ira auxiliar por exemplo os CEGOS, localizar cada acessório do banheiro inteligente acessivel e ecológico. Me coloco à disposição de coloborar com alguma empresa que por ventura queira desenvolver esse projeto.

    Curtir

  4. Em minha opinião, o ponto máximo será quando eu começar a utilizar em banheiro público as 3 conchinhas que Stallone utilizava no filme Demolidor =)

    Curtir

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *