Hashtags não derrubam governos

Acreditar que a internet, por si só, fortalece a democracia é uma ideia tão simplória quanto achar que a queda de um governo autoritário sempre dá lugar a um democrático.

E mais, ao contrário do consenso geral, governos totalitários perceberam que o mundo mudou. Notaram que estão em um mundo de abundância de informação e que bloquear urls é coisa do passado. Hoje, usam formas bem mais sutis de censurar as vozes dissidentes.

Nessa história toda, o governo do Egito é uma exceção. Percebeu muito tarde que é mais eficiente monitorar a internet a bloquear o seu acesso.

A melhor forma de censurar a internet é não a censurar, explica o pesquisador em política e internet Evgeny Morozov, em seu polêmico e recém-lançado livro The Net Delusion (432 páginas/Editora PublicAffairs).

A leitura do livro de Morozov chegou em boa hora para mim. Não apenas por que o autor está presente na mídia, ficando assim mais fácil acompanhar a sua linha de pensamento, mas também por Net Delusion funcionar como um contraponto necessário em meio à certa histeria sobre o papel da internet nos recentes conflitos no Egito.

Segundo Morozov, nossa noção de censura na internet ainda tem como base a ideia de “bloquear/não bloquear”, lógica que, a rigor, não faz mais sentido hoje em dia. Cada vez mais, governos como os da China, Irã e Síria estão respondendo à internet de maneira diferente, utilizando-a em seu favor, para fortalecer os seus governos.

O que é natural acontecer, pois quando a censura à rede se torna impraticável ou politicamente indefensável, governos autoritários passam a usá-la para propaganda ou, em casos mais extremos, como uma ferramenta de monitoramento da população.

Um exemplo dessa mudança de postura é o venezuelano Hugo Chavez, que até abril de 2010 considerava a internet e o Twitter “ferramentas terroristas contra-revolucionárias dos EUA”. Mas, depois, ao perceber o potencial da internet para promoção pessoal e propaganda de seu governo, passou a aceitá-la, chegando a montar um perfil no Twitter.

Do mesmo modo, censurar blogs está virando coisa do passado na China e no Irã. É mais negócio criar um exército de blogueiros pró-governo e contratar pessoas para entupir blogs e redes de microblogs com perfis falsos e comentários a favor do governo (50 Cent Party).

Os efeitos são parecidos. E o objetivo é sufocar a oposição na web por meio de uma avalanche de conteúdo. Combater conteúdo com conteúdo e não com escassez de informações.

Não é sem motivos que os governos da China e do Irã estão por trás de investimentos em diversos sites e blogs de gosto duvidoso, que, claro, apóiam os respectivos governos.

Para os olhos internacionais é uma solução amigável, mantém-se uma aparência de liberalização; mas, na verdade, sufoca as vozes dissidentes no plano interno.

“Terceirizar a censura” também tem se tornado prática comum. Forçar as empresas de internet a se autocensurar ou, aceitando a censura oficial, praticá-la diretamente. Vide a Google forçada a filtrar resultados da busca na China, em 2009.  Empresas internacionais oferecem resistência a essa prática, mas com medo de perderem mercado acabam cedendo. Com empresas locais não há com o que se preocupar. Muitas recebem subsídios estatais e acatam as ordens.

Conforme Morozov, isso é um problema, pois em muitos países totalitários há preferência pela utilização de serviços locais.

Uma das novas formas mais simples de sufocar as vozes dissidentes é justamente se aproveitar das características da web, como a descentralização. Em ambientes descentralizados é bem mais fácil espalhar boatos.

Durante os protestos em Teerã, em 2009, por exemplo, o governo iraniano usou o Twitter para propagar boatos e dessa maneira colocar a população em pânico e passar uma visão de que os protestos não eram tão populares.  Enquanto a imprensa no Ocidente glorificava o papel do Twitter, ativistas no país pediam que não se usasse o serviço de microblogging como fonte de informação, devido à enorme quantidade de boatos.

Ainda durante os mesmos conflitos, o governo iraniano colocou no ar um site com fotos dos protestos e pediu que a população ajudasse a identificar as pessoas nas imagens. Crowdsourcing a favor da repressão.

O que Morozov mais destaca é o quanto os governos estão percebendo o enorme valor das informações publicadas  espontaneamente nas redes sociais. Nisso, o monitoramento desses espaços é constante.

Informações que, antigamente, os serviços secretos do Irã e da China demoravam dias para filtrar, hoje facilmente podem ser encontradas nessas plataformas.

Com a onda do botão “curtir” no Facebook então, a navegação ficou menos anônima. Basta entrar no perfil de uma pessoa para saber por onde ela andou navegando (ou “curtindo”) nos últimos dias. Na Síria, já se fala que o Facebook é um grande banco de dados para o governo.

Em janeiro de 2010, Ahmadi Maghaddam, chefe da polícia iraniana, disse que “as novas tecnologias permitem identificar conspiradores sem a necessidade de controlar individualmente cada pessoa”

E, no próprio Egito, na semana passada, ativistas da oposição orientaram as pessoas a parar de utilizar o Facebook e o Twitter e  priorizar o email, mais difícil de ser monitorado.

O governo da China, por sua vez, já está flertando com técnicas de data mining para analisar tendências em um nível macro nas redes sociais.

Por isso, na visão de Morozov, ao contrário do que os fundadores do Facebook e do Twitter dão a entender, as plataformas de redes sociais são uma faca de dois gumes para quem é dissidente.

Por um lado, dá mais visibilidade internacional. Mas, por outro, deixa mais vulnerável quem as utiliza.

É comum as pessoas serem presas no Irã, Nigéria e China com base em informações publicadas em seus perfis em redes sociais.

Em suma, Morozov mostra o que as “Wireds” e os “Mashables da vida” não costumam revelar – o lado B da internet, o que acontece quando a rede é utilizada para fortalecer a propaganda, censurar e vigiar a população em governos autoritários.

Por tal motivo, o pesquisador acredita que a internet não é inerentemente democrática. Tudo depende em qual contexto a tecnologia é usada. Em um país que tem uma base política e cultural democrática, ela tenderá a ser usada para fortalecer a democracia. Em um país que não possui nada disso,  ela poderá reforçar o autoritarismo.

Enfim, para compreender o raciocínio de Morozov é necessário entender que ele vai contra o chamado “determinismo tecnológico”, linha de pensamento atual muito comum. Para o pesquisador, é a política, e principalmente a cultura e a economia, que moldam como usaremos uma tecnologia, e não o contrário. A internet não é algo autônomo, com vida própria e acima dos indivíduos. Ela, na verdade, está inserida dentro de um contexto que define os seus usos e os seus efeitos na sociedade.

E é exatamente essa visão que dá combustível para Morozov criticar a recente política externa americana, que, segundo ele, assume uma postura errada ao posicionar a internet como solução para todos os males e ao utilizar Facebook, Google e Twitter como ferramentas dessa política (vide a última capa da Foreign Affairs sobre o “poder político das mídias sociais” e os últimos discursos de Barack Obama e Hillary Clinton).

Morozov entende que essa politização da Web 2.0 mais atrapalha do que ajuda. Quanto mais Facebook, Twitter e Google forem vistos como ferramentas da política externa americana, maior o risco de serem censurados em países com governos ditatoriais.

Além disso, para Morozov, esse tipo de política é simplória, pois, no desejo de tornar menos complexo o discurso (internet vs ditaduras), acaba tentando resolver um problema político, cultural e econômico (governos autoritários) com uma solução tecnológica (acesso a Twitter e Facebook).

Ou seja, trata um grande problema como se fosse pequeno.

O pesquisador acredita que, em parte,  isso acontece por que a política externa americana ainda é pautada por padrões da Guerra Fria – quanto mais acesso à informação, pior para governos autoritários. Tipo de leitura que o pesquisador considera imprecisa, mas presente em todas as análises sobre a internet, principalmente nas produzidas pela imprensa ocidental.

Nem sempre acesso à informação torna as pessoas mais politizadas. Na China, a maioria dos usuários usa a rede para baixar filmes pirateados dos EUA e não para acessar informações políticas. Na Rússia, os blogs mais visitados não são os políticos. Pelo contrário, são os de humor e sexo.

Na Alemanha Oriental, as poucas pessoas que tinham acesso a redes de TV ocidentais usavam-nas, principalmente, para assistir seriados como Dallas e Miami Vice. (Até hoje, nos círculos de pensadores americanos, acredita-se que o Muro de Berlim caiu por causa da TV e não em razão de um processo, fruto de anos de descontentamento político e econômico).

Um dos muitos destaques de Net Delusion se dá quando Morozov analisa por que, muitas vezes, o ativismo facilitado pelas redes sociais faz muito barulho, mas resulta em quase nada. Haja vista aqui, no Brasil, o #forasarney (Sarney está mais presente do que nunca na política brasileira).

É interessante essa parte do livro, pois Morozov fala da sua própria experiência. O autor acompanhou de perto o ativismo online na Bielorrússia, sua terra natal.

Segundo ele, existem exceções, mas muitas vezes esse tipo de ciberativismo não apresenta resultados, visto que se preocupa muito com a mobilização (juntar seguidores no Twitter e amigos no Facebook) e pouco com a ação (depois de conseguir 10 mil seguidores e fãs na página do Facebook, o que vai fazer? Enviar spam com conteúdo político para todo mundo?).

A capacidade de mobilizar ainda está encantando os ciberativistas, embora a capacidade de agir seja bem mais importante.

Outra questão exposta é a de que, na maioria das vezes, esse tipo de ativismo acontece por motivos que nada têm a ver com ideais ou causas políticas, mas sobretudo para impressionar os amigos e criar uma identidade online. A rede social favorece isso. Vou participar por que os meus amigos estão participando. Vou participar para mostrar que não sou alienado, e não falo apenas bobagens no Twitter.

Para Morozov (foto acima), o resultado é uma baixa taxa de comprometimento e uma alta quantidade de participantes. Combinação nociva para qualquer movimento.

Quanto maior o grupo, menor a pressão para apresentar resultados (se eu não fizer nada, ninguém vai perceber já que tem tanta gente mesmo). Ou seja, se não existem meios de mensurar a participação de cada em um movimento, os efeitos são mínimos.

Por essa razão,  nas plataformas de redes sociais, é muito fácil você “fazer a sua parte”, basta usar uma hashtag, mudar a cor da foto em seu perfil, e pronto!

De acordo com o pesquisador, revoluções exigem 3 coisas – disciplina, líderes e comprometimento. E isso você não encontra nas redes sociais que nivelam todo mundo na horizontal.

Em questão de segundos e de forma indolor, você pode deixar de apoiar uma causa no Facebook, sem qualquer comprometimento ou remorso. As plataformas de redes sociais são um dos poucos ambientes onde, ao mesmo tempo, você pode apoiar todas ou nenhuma causa, conclui Morozov.

Pelo que tenho percebido, por tratar de temas polêmicos,  Net Delusion caminha para o mesmo fim de Free, de Chris Anderson – tornar-se um livro mal compreendido.

Em nenhum momento, Morozov afirma que a internet não tem capacidade de fortalecer a democracia. Pelo contrário, ele acredita que os dissidentes devem sim utilizar Twitter e Facebook, mas desde que estejam familiarizados com os riscos. A tecnologia de “cloud computing”, por exemplo,  é algo que Morozov acredita estar ajudando os opositores.

Em essência, o livro não vai de encontro a este ou aquele país, mas sim contra o “determinismo tecnológico” (de achar que a internet tem um papel determinante em tudo). Para Morozov, essa linha de pensamento pode ter efeitos nocivos para a democracia, ao tentar resolver problemas que são muito mais sociais, culturais e econômicos com uma mera solução tecnológica.

Esse “determinismo” estaria afastando-nos das questões essenciais, como a de que governos autoritários morrem por causa de problemas políticos e econômicos. Em regra, se a economia está boa, dificilmente um governo cai.

Para quem é da área de tecnologia, Net Delusion tem uma lição sutil e interessante.

Constitui um erro descontextualizar uma tecnologia, quando se analisa seus efeitos e seu poder de gerar mudanças. Em certos contextos, algumas tecnologias podem causar mais efeitos, e outros, não.

Muitas vezes, por acharmos que uma tecnologia é autônoma, com vida própria, não compreendemos por que ela dá resultados em uma empresa e em outras não. Por que os blogs em alguns países servem mais para polarizar do que informar. Por que uma “ação genial” dá certo com um cliente e com outro não. Por que a internet fortalece a democracia em alguns países, ao contrário de outros.

Não é por que uma tecnologia produziu um efeito em um dado ambiente que, necessariamente, ele se reproduzirá em outros. Enfim, o que define os efeitos de uma tecnologia é o contexto no qual ela é utilizada, e não “poderes mágicos”  que supostamente lhe sejam atribuídos.

Compreender isso é importante para utilizar a internet não somente com fins comerciais, mas também como meio efetivo de fortalecimento da democracia.

Veja também: Por uma internet em tempo giusto

Crédito das fotos:  John Biehler, Chilcy, Ascaro41, BarryGeo e Oso

61 respostas a “Hashtags não derrubam governos”

  1. O Morozov é referência obrigatória no meio de tanto hype. E muito interessante a visão do “Like” e do anonimato.

    Dia desses ele twittou que no Egito, as pessoas sofreram mais com a queda da rede de telefonia do que da queda da internet. isso mostra bem o ponto dele.

    belo post.

    abs

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  2. Fantástio, Tiago! Essa é uma tecla na qual venho batendo, sendo chamado de “apocalíptico” por conta disso. Você foi na veia da questão com a crítica ao determinismo tecnológico! Só gostaria de questionar a noção de revolução como algo estritamente hierárquico que o livro passa. Acho que nesse aspecto há outras leituras que poderia complementar. Sei lá, acabo vendo a retomada da disciplina como um retrocesso no combate ao controle. Seria lutar contra uma nova ameaça com uma velha arma. Lembro de uma palestra que assisti de Michael Hardt sobre revolução. Vale procurar alguma coisa dele sobre o tema…

    Parabéns pela lúcida análise!

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  3. Tiago, fantásticos os pontos de vista do texto.

    Sempre pensei no #forasarney como um embuste, dos revolucionários de sofá. Mas nunca havia pensado nesse lado escuro da internet.

    Vou gastar um bom tempo pensando nisso.

    E é por isso que eu gosto tanto de ler seus textos…

    me fazem pensar sobre muita coisa.

    obrigado

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  4. Interessante o texto, bem diferente daquilo que encontro na maioria dos blog’s. Tiago Dória soube passar com grande clareza a idéia central do livro (net delusion)juntamente com seu pensamento. Pra mim fica claro que a simplificação exagerada dos fatos a nossa volta trazem, ou ilusão, ou desvirtuamento daquilo que deveriamos compreender, as coisas são simples “não há nada de novo debaixo do sol” pouco importa como fazemos as coisas, quais tecnologias serão inventadas; a grande questão é saber compreender essas coisas simples e que pouco mudam.

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  5. ótimo, ótimo texto. me lembrou o twitt de um comediante gringo que eu sigo: “não sei como o povo do paquistão vai resolver seus problemas. afinal, eu não assinei nenhum abaixo assinado online e nem mudei a cor do meu avatar”. hahaha.

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  6. Excelente artigo.
    Parabéns! Continue a escrever com sabedoria.

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  7. Ótimo artigo, ótimo argumento. Acredito no poder democrático da internet, mas concordo que este se lilmita à informação. Se não se sabe o que fazer com ela, invariavelmente cairemos na fraca atitude de afirmação social – da qual o exemplo do #forasarney é um exemplo certeiro. Se as revoluções necessitam de disciplina, líderes e comprometimento, no caso do Brasil, já perdemos na primeira. Não acho, porém, que seja simples assim. Mudanças de paradigmas não costumam precisar apenas dessas três coisas e a proópria internet não surgiu de uma lista de 3 necessidades, mas de um comportamento golbal da sociedade aliado a um momento histórico do conhecimento. Quem sabe aprender a usar a internet não seja o desafio de quem acabou de inventá-la?

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  8. Belo Post,
    Estou estudando comunicação em redes sociais e ja tinha lido algo sobre essa questão do Like do facebook, mas é isso, a cada dia mais estamos mais on line do que off, ou daqui a pouco nem exista mais offline. Agora na minha opinão qualquer tipo de controle, seja ele pelo governo ou qualquer outra instituição é utópico ou provisório.
    http://www.mariodiego.blogspot.com/
    @diego_oliveira

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  9. Importante essa visão mais crítica, sem o tom eufórico tão comum nas notícias e análises sobre o papel das redes sociais em questões políticas tão profundas como o que ocorre atualmente no Egito.

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  10. Concordo que haja conteúdo censurado na internet em diversos países, e que grande parte de tudo que é gerado é fortemente monitorado. Acredito que o país com o maior grau de monitoramento seja os Estados Unidos.
    Enquanto é visível que haja um esforço governamental da maioria dos países para produzir “contra conteúdo” que apóie e incentive suas políticas, eu creio que é possível que conteúdo relevante independente seja apresentado com acesso irrestrito por um meio ou outro, como ocorreu por exemplo no caso WikiLeaks.
    Eu entendi o ponto que você quis passar, mas de uma forma geral pareceu que a utilização da tecnologia fica refém tão somente das questões sócio economicas. Isso de certa forma caracteriza um determinismo.
    Ao meu ver, as tecnologias, como você mesmo afirma na conclusão, devem ser aplicadas de acorodo com a necessidade e situação adequadas. A cultura e demais fatores certamente influem em como a tecnologia será aplicada. Mas no caso do Egito, não foi a internet que fez com que o povo saísse as ruas, foi a insatisfação. A internet foi uma ferramenta utilizada para uma forma de comunicação que não era possível a 15 anos atrás. Era muito mais difícil transmitir uma mensagem a um número tão grande de pessoas, mesmo que a maioria só estivesse interessada apenas em assistir filmes.
    Por isso é importante que haja a lidença. Apenas uma mensagem lançada na rede que crie hashtags não leva a nada. Mas algo que seja pensado e direcionado certamente pode surtir um efeito maior graças a internet. Por isso, pensando na tecnologia como ferramenta, eu acho pouco inteligente utilizar as redes sociais para gerir um movimento, primeiro pelas eventuais interferencias (seja do governo, seja de terceiros), segundo porque toda a comunicação está aberta a todos irrestritamente aumentando a chance de perseguição e reduzindo a zero qualquer elemento surpresa. Porém, elas são úteis para iniciar o movimento, e, em uma segunda fase, por meio de uma liderança sólida, dar continuidade por meio de outras ferramentas que consigam filtrar os ativistas realmente comprometidos e dê direção e objetivos adequados.
    Pensar que uma rede social como o Facebook seja responsável por qualquer manifestação de massa, por mais idiota que tal manifestação seja, é pouco inteligente. O Facebook nada mais é que uma ferramenta tecnologica. A atitude do governo egipicio é lógica dado o contexto, e não seria diferente se ocorresse na China. É claro que nesses casos, o governo é “assumidamente” totalitario, pois cortar de forma integral a internet com certeza está trazendo grandes prejuízos economicos para o país e acendeu a ira até dos mais alienados que estavam preocupados apenas em baixar os conteúdos de entretenimento.

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  11. Excelente texto. É ridículo ver a histeria entre os “geeks” mais politizados sobre a internet no Egito, quando na verdade estes não fazem a menor idéia das consequências reais e do que ocorreu no Irã e outros países.

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  12. […] Dória fez um contraponto comentando o livro Net Delusion, de Morozov, cujo título já diz muito: Hashtags não derrubam governos. O contexto mais atual é a revolução no Oriente Médio, mas pequenos eventos em diversos países […]

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  13. Muito bom este post. Faz tempo que não leio algo tão sensato na WEB. Cada palavra do texto retrata a triste realidade deste mundo globalizado do século XXI.

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  14. Avatar de Dorival José Borges
    Dorival José Borges

    Ótima matéria!
    Me conduziu a refletir sobre uma muito recentente decisão da ANATEL, de monitorar os sistemas de telefonia [fixa e móvel], “para saber se as empresas de telefonia estão a prestar um bom serviço ao consumidor”. A conduzir minha reflexão ao plano de banda larga nacional, monitorar a internet, pode ser um outro passo. Vamos acompanhar ao máximo os movimentos de “monitoramento”. De fato, tudo tem no mínimo, dois lados.

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  15. Morozov fala o óbvio. Não precisa escrever livro, ser um especialista para saber isso. Quem se guia por mashable e wired são os publicitários espertinhos (e é muito fácil ser contra eles).

    A internet não tem um fim, um objetivo. Ela não quer democratizar o mundo. Analisar o papel das novas mídias na situação no Egito (como as centenas de celulares que estão registrando tudo) criticando os “likes” no facebook e as hashtags é desnecessário. Acha que isso explica a situação é deixar de lado o retrato maior.

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  16. Lenin escreveu um livro inteiro (sintomáticamente intitulado “Que Fazer?”) somente para justificar diante do partido a necessidade de ter uma mídia que organizasse o movimento bolchevique. O jornal veio a ser fundado e se Chamou “Iskra” (Centelha ou Faísca, em português). Depois mudaria de nome para Pravda (Verdade, em português). Ou seja, começou fomentando uma revolução e depois… Tudo que há para ser sabido sobre midia e movimento social pode ser aprendido acompanhado os destinos desse jornal. O contexto é TUDO!

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  17. Avatar de Fabio Luis Giordani
    Fabio Luis Giordani

    Olha, não entendo nada de internet, não tenho facebook,twitter ou qualquer coisa parecida.O grupo que governa uma nação independentemente de ser uma ditadura, ou uma democracia sempre deterá e manipulará a midia conforme seus interesses. Qual foi o papel da internet durante a invasão do Iraque pelos Estados em 2003?
    Acredito que a vocação da internet na maioria dos casos é de vender produtos, e em segundo plano informar segundo as covicções de quem as divulgam.

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  18. Não e a internet que faz isso ou faz aquilo, nos as pessoas que fazem ainda pouco por não saberem tudo que já deviam saber e como de sempre se joga o jogo paro o alto as coisas ao contrario, sempre dispensamos a visibilidade futura

    Censurar a internet controle tirar do are como querer censurar todas as mídias ao mesmo tempo, impossível, mas ainda tem gente tentando vender uma idéia possível de iludir

    A única revolução do presente daqui para frente e o progresso de todos, ainda temos tempos de evitar que a possível volta aos tempos da pedra volta para amadurecer a gente, se deixarmos de amadurecer o suficiente perdendo tempo com intrigas, em vez de a gente reformar a gente com tanta tecnologia ainda não e o suficiente para nossa real reforma

    Assim como haverá uma reforma nas redes sociais, vinda com as novas tecnologias comprimindo tudo ao tamanho mínimo reduzido

    Mas precisa produzir a solução que resolva de vez o problema da gente, passar a Previdência Social para banco exclusivo dos empréstimos consignados, para aposentados e funcionários públicos, empréstimos consignados e o que proporciona mais lucros para todos os bancos, ai ficaríamos felizes como o Silvio Santos do SBT

    E uma decisão que não tem volta porem com um final feliz como SBT a televisão mais feliz do Brasil

    Ai tem um Ratinho que pode virar desenho animado para dar mais lucro que o Banco, isso e uma pequena amostra da tecnologia, ainda invisível entre-nos

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  19. Muito bom. Pena que esta análise sua não tenha sido feita antes das nossas eleições. Isto ia fazer muitos intelectuais da mídia, envolvidos com seus partidos, repensarem suas táticas (mesquinhas) políticas.

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  20. Concordo sobre o “determinismo tecnológico”, mas tbm não podemos descarta-lo como uma gde fonte de motivação para mudanças e etc.

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  21. Muito interessante o ponto de vista do autor. Entretanto, não se pode esquecer que mesmo um conteúdo aparentemente inocente como sexo, humor, Dallas e Miami Vice pode carregar uma ideologia poderosa cujo impacto é difícil de ser mensurado.

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  22. ótimo post, engraçado ver que nos comentários, as pessoas que discordam, acabam na verdade concordando com o ponto de vista do Tiago e do autor.É isso ai, cada vez mais somos controlados e monitorados, infelizmente esse é o preço de viver em sociedade, e em uma tecnologica ainda por cima. Quer se livrar disso? Vamos morar no interior, onde não haja TV, internet, ou algo do tipo! Esse é o caminho de volta. A tecnologia venda a sociedade com “TouchScreens” e “Video-Chamadas”, quando na realidade, não evoluimos nada em igualdade de oportunidades, amor ao próximo (família não conta), ou respeito ao planeta que vivemos. Se ontinuarmos assim, vamos chegar como no “Minority Report”, onde todos precisam ter sua retinas escaneadas, robôs invadem nossas casas a qualquer momento e somos julgados por crimes antes de cometê-los!

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  23. […] li um artigo recomendado no Buzz da Lady Rasta que questionava a utilização das redes sociais, em especial do Twitter e do Facebook como meio de mobi….  O texto, de Tiago Dória, faz referência ao fato de muitos governos totalitários já estarem […]

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  24. […] ia comentar este texto do Tiago Dória, mas é tão fantástico que resolvi colocar na íntegra no Stasabendo e dar meus parabéns pela […]

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  25. Avatar de josé eugênio Grillo
    josé eugênio Grillo

    Lúcida a análise do momento atual apoiada no livro Net Delusion, de Morozov. Parabéns. Extrai-se importantes assuntos correlacionados dos comentários. Estão aqui alguns argumentos para outros livros – e-books – e posts em blogs. Fica a sugestão ou quem vai encarar? abs,

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  26. TEXTO FANTÁSTICO. TOMEI A LIBERDADE DE PUBLICAR NO MEU BLOG NA INTEGRA E COM MUITOS ELOGIOS. TIAGO, Impressionante. Abraços. Stachon

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  27. […] Hashtags não derrubam governos – O texto de Tiago Dória, baseado em um livro sobre o tema, diz com correção que as mudanças importantes não se fazem através da internet. No entanto, devo destacar que a maneira como a internet é usada é fundamental para tais mudanças ou para a consilidação de situações benéficas. Obviamente, ela não deve ser desprezada como ferramenta. Os governos, sobretudo os totalitários, não estão fazendo isso […]

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  28. […] Hashtags não derrubam governos – texto grande, mas ótimo. […]

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  29. Ótimo texto! Também acho que a internet e suas “possibilidades” devem ser usadas com outros fins. Seja através do humor, política, esporte, cultura, etc. A internet é muito mais do que “curtir” ou “comentar uma foto sua no facebook”!

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  30. Tiago,

    Dizer que o post está excelente é até sacanagem depois de 30 pessoas exaltarem isso. Queria te parabenizar pelo contraponto apresentado, evitando o discurso comum. É por este tipo de atitude que seu blog é uma referência.

    Um abraço!

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  31. Adorei o seu artigo, e o seu blog, apesar de que encontrei dificuldade de entender tudo o que foi discutido.
    Este blog com certeza estará entre os meus favoritos.

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  32. Fala Tiago, tudo bem? Quando li o texto a principio concordei com a maioria dos pontos levantados por você, realmente me questiono se as “revoluções” feitas na Internet fazem alguma diferença na vida real, a lá #forasarney.

    Porém dando uma lida e vendo algumas reportagens, tanto na Indonésia quanto no Egito a Internet teve um papel fundamental para a derrubada dos governos, estão sendo chamadas de revoluções da Internet, no caso do Egito criações de aplicativos em conjunto com o Twitter faz inclusive que a população consiga gravar mensagens de voz pelo celular que automaticamente são públicas no Twitter já que a maioria dos provedores de Internet foram desligados.

    Não sei ao certo qual esta sendo realmente o papel da Internet nisto tudo, porém acho que é muito mais para o bem que para o mal.

    Abs,

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  33. Salve, Colega! Quanto tempo…
    Seu ótimo post me inspirou a acrescentar meus ‘dois palitos’ na conversa.
    [ecodigital] #Egito: é a cultura digital, estúpido!! http://bit.ly/fSsa5F
    reflexões sobre o papel da rede na revolução egípcia
    Abração

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  34. Eu acjo q o negócio é juntar as duas coisas, mobilização on line e ação real. De fato, essa do #forasarney foi frustrante, com direito a um fora do Ashton Kutcher nos mauricinhos liderados pelo Marcos Mion e o Júnior, da Sandy. No final, a coisa se resumiu a poucos gatos na frente do MASP (se não me falha a memória) q poderiam ter sido levados pela ambulância para o hospício mais próximo. Mas acho q vale a pena usar a web sim, mas de forma melhor dirigida,os #fails para as empresas de telefonia tem sido um bom explo disso. Mas tb ninguém deve se iludir e permanecer no mundo virtual achando q vai mudar a realidade do mundo ‘real’.

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  35. […] um texto publicado na última semana, o jornalista Tiago Dória apresenta o livro “The Net Delusion”. Escrita pelo […]

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  36. Lembro, há dez anos, de ter me assustado com o exército de internautas conservadores que invadiam qualquer grupo e inviabilizavam qualquer debate, mesmo quando era difícil esbarrar com uma idéia conservadora no dia-a-dia.
    E daí?
    Qual a diferença conceitual entre exércitos internéticos pró ou contra stablishments? Serem pagos?
    Como disse, me assustei na época com a quantidade e a ferocidade daquela nova direita que nascia. Nada me tirava da cabeça que eram um grupo organizado e que ficavam por conta de propaganda ideológica online: não pareciam fazer mais nada além de ficar ali o dia inteiro vertendo suas linhas ideológicas; não aparentavam ser indivíduos normais tirando um tempinho das suas vidas para trocar idéias online.
    Muito, muuuuito tempo depois, começaram a aparecer os blogueiros e comentaristas ditos (ou autodeclarados) “progressistas”. E qual foi a primeira acusação que receberam? A de que eram pagos para isso. Mesmo sendo poucos, não demonstrado alguma articulação e aparentemente serem figuras com nítida atividade no mundo real.
    E aí, quem é quem?
    Os think tanks conservadores, nos EUA, nunca esconderam que faziam esse tipo de atividade, e além de terem sido extremamente bem sucedidos (e não utilizarem só a web, mas a obscura rede de rádios locais, também)fazem apologia dos seus feitos. Ninguém nunca os “desmascarou”. Pelo contrário, sempre foram elogiados pelo seu vanguardismo no debate político dentro da “era da informção”.
    E daí? Só seria deplorável quando governos o fazem?
    E se não estiverem utilizando dinheiro público nem forem governos autoritários, continua sendo deplorável? O livre debate de idéias só seria digno quando feito por grupos não hegemônicos? Quando feitos por grupos que não estejam organizados em partidos políticos formais?
    Pessoalmente, acho um porre esses exércitos de pseudodebatedores virtuais. Achei uma porre, há dez anos, acho um porre hoje. Matam a troca de idéias, com sua repetição ad nauseam de aforismos, dogmas e inverdades, fora os onipresentes ataques pessoais.
    Entretanto, a crítica ao fato de governos autoritários pararem de simplesmente censurar e passsar a entrar no meio de discussão me parece tanto contraproducente quanto ligeiramente contrasensual. Ainda é debate livre.

    PS: no dia que os defensores de governos autoritários e da teologia de livre-mercado pararem de agir como imbecis goebbelianos na web, em inglês, português, francês ou chinês, o mundo será um lugar muito menos irritante.

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  37. […]  sobre a influência das redes sociais na política, aproveito para recomendar o texto do Weblog, por Tiago Doria, e registrar que também tenho ressalvas às afirmações peremptórias e um tanto superficiais de […]

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  38. Morozov pode estar errado pois seu argumento é mais ideológico que estatístico. Hashtags revolucionam ou não? Ainda é cedo pra saber o efeito real das novas mídias. A história dirá.

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  39. Apesar de ser partidário da memética e da ideia de informação e tecnologia como entes próprios e autônomos, a inércia demonstrada pela sociedade conectada chega a ser angustiante. Salvamos vidas e florestas “dando cliques”.
    Falando de Brasil, se “xinga muito no twitter” mas ninguém age.
    Falta para a ação (ao menos essa, não precisa nem se tratar de uma revolução) principalmente líderes. Na inexistência desses, a maioria absoluta se pauta na filosofia de “sou grande demais pra me arriscar a perder qualquer coisa e pequeno demais pra mudar alguma coisa”. Receita para a passividade neurótica.
    Parabéns pelo excelente texto. Irretocável.

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  40. Excelente post, Tiago. Uma reflexão que se faz necessária. No Brasil, vivemos um período eleitoral bastante movimentado em redes sociais, mas ainda não aprendemos a transportar essa atitude para o mundo real. A internet é só mais uma ferramenta, ainda q poderosíssima. Não pode ser resumida em algo apenas positivo ou apenas negativo.

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  41. O texto é muito lúcido. Morozov é logo visto como crítico ácido pelos filtros mais medíocres. De fato, ele suge mais como um alerta para que entendamos onde estão os verdadeiros agentes de transformação social.

    Parabéns. Gostei do texto.

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  42. […] acredita nisso. Afinal, ‘acreditar que a internet, por si só, fortalece a democracia é uma ideia tão simplória quanto achar que a queda de um governo autoritário sempre dá lugar a um democrático’, […]

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  43. Oi Tiago, muito bom o artigo, parabéns! =)
    Vamos a alguns comentários…
    Aqui no Brasil temos um exemplo claro do novo modelo de “censura”. Na consulta pública da LDA (Lei de Direito Autoral), organizada pelo MinC (Ministério da Cultura), ficou muito claro que o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) organizou um batalhão para tendenciar e direcionar o resultado da consulta pública em favor de seus interesses ( ver detalhes em: http://consultalda.thacker.com.br/). Foi um ótimo exemplo (ruim) de “autoritarismo e censura” do séc. XXI.
    Com relação “às grandes empresas”, em 2010 o Brasil liderou a lista de países com mais solicitação para bloqueio de resultados de busca no google. (http://pt.globalvoicesonline.org/2011/02/02/brasil-censura-internet-2010/). Um exemplo de autoritarismo que nem os EUA conseguiram…

    Tenho acordo que “a internet não é a solução para todos os problemas”, em especial se ao falar de internet está se resumindo a “facebook, google e twitter”. Mas, por outro lado, acho que “a rede” oferece oportunidades de auto-organização impossíveis em outros momentos. Podem-se criar redes paralelas a estas “comerciais tradicionais”, como salas IRC, por exemplo. Desde que saiba-se utilizar os recursos existentes, a internet tem sim uma grande capacidade de ser uma FERRAMENTA de democratização e mudanças. Mas uma coisa é certa. Ela é uma FERRAMENTA, e não uma “entidade”. Tudo vai continuar dependendo de ações concretas dos seres humanos.

    Como contraponto aos seus exemplos de “insucesso” da mobilização “da rede”, cito o projeto de Lei “Ficha Limpa”. Que só foi aprovado por conta da mobilização feita utilizando-se a internet. Claro que ainda não tivemos grandes resultados concretos da aplicação da lei, mas acho que é um processo. Da mesma forma como, no papel, o Brasil é um Estado Democrático e Republicano – fruto de um grande embate político “à moda antiga” – não garante a prática da democracia, a aprovação desta lei não garante sua aplicação. Acho que o Brasil ainda é uma Democracia muito jovem e tem muito a melhorar, assim com o ciberativismo anda precisa evoluir para trazer mais transformações e transformações mais concretas e perenes.

    Por fim, tenho acordo total com seu fechamento. Descrevo a mesma coisa dizendo que a internet é uma FERRAMENTA. Que precisa ser bem utilizada para ter seus efeitos. E “ser bem utilizada” depende de cada contexto, de cada momento-lugar. =)

    Muito bom o texto Tiago! 😉

    Abraços,

    Diego

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  44. […] bonita, e muito comum hoje em dia. Recentemente, o jornalista Tiago Dória publicou em seu blog um post exatamente sobre esta tendência de exaltar em demasia o valor democrático destas redes sociais, e […]

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  45. […] Dória escreveu recentemente um post em seu blog chamado Hasgtags não derrubam governos e é um dos mais brilhantes ensaios sobre o tema, recomendo a […]

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  46. […] Dória escreveu recentemente um post em seu blog chamado “Hasgtags não derrubam governos” e é um dos mais brilhantes ensaios sobre o tema, recomendo a leitura. Doria baseia seu texto no […]

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