Matou a grade de horário e balançou os direitos autorais

Novo ícone da cultura popular (diria o pesquisador Joshua Green, do MIT), o YouTube está completando 5 anos. Para variar, a Google, que comprou o YouTube em 2006, divulgou números hipnotizantes  – streaming de 2 bilhões de vídeos por dia, 24 horas de vídeos são publicadas a cada minuto, o vídeo mais visto é o clipe Bad Romance, de Lady Gaga, com 200 milhões/views.

Em 5 anos, o YouTube fez muita coisa. Ajudou a acabar com o conceito de grade de horário, um dos pilares sobre o qual a TV tradicionalmente se apoiou (hoje praticamente você assiste a um programa quando e onde quiser, não tem horário para consumir conteúdo), e balançou a questão dos direitos autorais ao se tornar plataforma de distribuição de remixes e ao ajudar a minimizar a narrativa do “dito e feito”.

E, o ponto mais pragmático, resolveu o problema de assistir a vídeos na web (antes do YouTube você era obrigado a baixar uma série de plugins e programas para assistir a um vídeo na web).

De quebra, hoje, por meio do canal Reporters Center, o YouTube dá até aulas de jornalismo com os principais nomes da área.

Em comemoração aos 5 anos, um canal e um vídeo foram publicados com os momentos e os personagens mais marcantes do site de vídeos, como os protestos no Irã e o fenômeno Susan Boyle. Do Brasil, não há quase nada. Mas talvez o momento de mais destaque do YouTube por aqui tenha sido o seu bloqueio, no começo de 2007, devido ao apimentado vídeo de Cicarelli.

Para o futuro do YouTube existem desafios. Primeiro, tornar-se multiplataforma (passar para a chamada 3ª tela). O YouTube já está presente nos computadores e nos dispositivos móveis, mas não plenamente na TV. E o segundo, porém mais importante – gerar lucro. Semelhante a outros ícones da chamada Web 2.0, até hoje o YouTube  não é lucrativo. Possui tráfego e atenção, mas nada de lucro.

E é justamente nesse detalhe que aparece a questão mais importante e que vai ajudar a decidir se o YouTube (e o mercado de vídeos online) será lucrativo ou não. A essa altura do campeonato, não interessa tanto o quanto as pessoas estão assistindo (1 milhão ou 2 bilhões de streamings), mas sim o que as pessoas estão assistindo na web.

Qual tipo de conteúdo em vídeo é mais assistido na web? O que faz dinheiro vem da TV e o que não faz é o chamado “conteúdo gerado pelo usuário” (UGC).

A história do YouTube reflete o quanto a premissa de que o UGC seria lucrativo estava errada (historicamente, esse tipo de conteúdo sempre foi difícil de ser monetizado). Por outro lado, a mesma história revela o quanto a teoria de que, após o texto (emails e messengers), as pessoas migrariam para outras formas de comunicação na web (como vídeo e voz) estava correta.

Os 5 anos do YouTube fazem parte de um conceito maior, de popularização do vídeo na internet como plataforma de comunicação.

Veja também: O que o YouTube está matando

8 respostas a “Matou a grade de horário e balançou os direitos autorais”

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  2. Isso porque a internet, que ainda esta apenas engatinhando aprendendo andar para depois correr com a solução antes de acontecer

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  3. Muito bom, me deu até um frio na barriga. Incrível o que o Youtube proporcionou, e isso é apenas a ponta do iceber chamado internet. Muito aconteceu e muito ainda está para acontecer. Acredito que seja assim a tecnologia e evolução, a internet foi feita por pessoas e as pessoas vão conquistando seu espaço. Um grande avanço!

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  4. Tenho em casa uma Apple TV, que tem uma interface específica pra integrar o YouTube à TV: fica ótimo assistir vídeos do YouTube numa boa TV, principalmente o conteúdo em HD. Mas há poréns: a dificuldade de fazer buscas numa tela de TV, a impossibilidade de seguir links (vai, boa parte do que vemos de lá são links de emails, blogs, facebook) e a dependência de boa conexão de internet torna a experiência meio lenta. Sei lá, a integração TV e internet ainda tem chão pra acontecer de fato.

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    1. Eu acesso o YouTube pelo PS3, por meio do YouTube XL <a href="http://(http://www.youtube.com/xl).” target=”_blank”>(http://www.youtube.com/xl). E também não é lá essas coisas. Ainda precisa melhorar bastante.

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  5. O vídeo dos cinco anos é muito legal.
    Bem feito.
    Tinha até o Ronaldinho chutando bolas na trave.

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  6. Lembrando que aqui no Brasil tudo é mais complicado… A questão da integração com a TV, nós ainda estamos engatinhando. A própria internet, aqui nossos padrões são baixíssimos. Imagina no Japão, Koreia e etc, onde ter acesso a internet de altíssima velocidade é mais fácil e barato.

    BTW, ótimo post e parabéns ao Youtube. Realmente é algo que está na vida da gente quase todos os dias, igual o Google, twitter e facebook (esses dois últimos só para alguns).

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