
“Será necessário mais do que um site para mudar esse país.
Mas um bom blog é um bom começo”
Antes e durante o ano de 2005, período das eleições no país, esse foi o mantra de muitos autores de blogs iranianos. Na época, a pouca imprensa que existia foi abafada. Para furar o bloqueio, manifestantes, observadores internacionais e cidadãos do Irã se voltaram para os blogs.
Era a ferramenta que simbolizava a luta pela liberdade de expressão. Alguns foram tirados do ar, outros conseguiram manter-se online. Com a importância que essas ferramentas adquiriram, o presidente eleito Mahmoud Ahmadinejad passou a assinar um blog, idéia que depois foi abandonada.
No massacre da praça da Paz Celestial, na China, em 1989, estudantes utilizaram um aparelho de fax para burlar o bloqueio à imprensa e passar por cima da imprensa chapa branca. Publicaram textos e fotos que eram enviados direto para universidades e hospitais do país. O fax era o Twitter da época.
Desta vez o que menos importa é a ferramenta que os manifestantes iranianos estão utilizando (YouTube? Twitter? Friendfeed?), o fato é que agora o povo está em rede nas ruas e na internet. Isso é o que se repete e está mais evidente (se isso vai causar alguma mudança profunda e prática é outra história).
Em 2005, os blogs iranianos concentraram as atenções. Conquistaram respeito internacional, mas censura interna. Hoje o seu uso não está sob holofotes no Irã devido a anos de bloqueio que, a meu ver, os deixaram engessados. Um de seus principais autores e ícones, por exemplo, está preso desde o ano passado e o seu blog fora do ar.
No final das contas, o uso do Twitter roubou a cena, o que ajuda a alimentar o receio de que quanto mais visibilidade uma ferramenta adquire, menos ela poderá ser utilizada no futuro como mecanismo de liberdade de expressão. Portanto, não será nenhuma surpresa se o Twitter tiver um futuro parecido ao de alguns blogs, ou seja, o bloqueio e o cerceamento permanente no Irã.
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