
A artista plástica holandesa Marcia Nolte ganhou seus posts de fama no finalzinho do ano passado. Mais por conta de seu último trabalho, Corpus 2.0, em que a artista retrata como seria o nosso corpo se ele fosse adaptado aos objetos do cotidiano e às novas tecnologias. A Folha Online chegou a fazer uma entrevista com Nolte, que disse que os nossos corpos vão se adaptar às novas tecnologias, mas não da forma exagerada das suas fotos.
“Vamos nos comportar diferentemente, como crianças que não tocam a campainha com o dedo indicador, mas com o ombro, o que já acontece. Essa provavelmente vai ser a maior mudança. A mudança na forma nunca vai ganhar da velocidade da tecnologia, portanto a evolução vai ficar mais lenta”

Ainda nessa linha de tecnologias se adaptarem a pessoas e pessoas se adaptarem a tecnologias vale a pena dar uma olhada no trabalho do designer Dan Hill, que edita o ótimo blog City Of Sound.
Em meados do ano passado, fez um estudo sobre o uso do Wi-Fi em uma biblioteca pública de Queensland, nos EUA. Ele mapeou o espaço de acordo com o sinal e o uso da tecnologia de internet sem fio (uma tecnologia que está em todo o espaço da biblioteca, mas que é invisível).
Dá para tirar diversas conclusões da pesquisa (Hill quis relacionar os sinais invisíveis do Wi-fi com as pessoas), entre elas a de que os locais pertos de pontos de wi-fi são os mais movimentados (as pessoas se posicionam no ambiente de acordo com a intensidade do sinal do Wi-fi) e o uso da mobília muda em torno desses pontos (foto acima).
Fora isso, a descoberta de padrões de posições do corpo no uso de um laptop. Há gente que coloca o laptop no colo, outra que o deixa na mesa inclinando o tronco e que se deita com o laptop quase no joelho.
Semelhante a yoga, cada posição (20 mais ou menos) foi batizada por Hill com um nome – “cavalo”, “sala de controle da NASA”, “lotus”… (da próxima vez que estiver num ambiente grande com Wi-fi, vou reparar também nestes pontos levantados pelo designer).
O estudo de Hill vem sendo considerado pertinente e levanta a questão sobre a construção de novos edifícios.
Da mesma forma que engenheiros, arquitetos e decoradores se preocupam com materiais, cores, medidas para que energia elétrica, água e luz natural sejam aproveitados da melhor forma possível, esse cuidado deve ser passado para a utilização da internet sem fio.
Projetar uma casa/prédio/loja para que, de forma mais eficiente, seja utilizado o Wi-fi, recurso que caminha para ser tão necessário em uma casa quanto energia elétrica e gás. Certo?

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