Um modelo de negócios de presente de Natal para a Tribune Company

Foram duas tacadas somente num dia. O Prêmio Pulitzer anunciou que vai aceitar a participação de veículos que têm operações somente no online. Ou seja, sites de notícias que não têm uma divisão impressa poderão participar da premiação, a mais importante do jornalismo norte-americano.

Por coincidência, no mesmo dia, a empresa de jornais Tribune Company, responsável pelo “Los Angeles Times” e pelo “Chicago Tribune“, entrou com um pedido de concordata.

Como quase sempre, a crise da rede de jornais não aconteceu de uma hora para outra. Antes de tudo, é resultado de anos de má administração. Ao analisar o histórico da empresa, é possível notar que a culpa não é totalmente da internet.

A crise é anunciada já há algum tempo. Desde a época da “bolha da internet”, quando a Tribune Company comprou um monte de jornal sem muito critério. Nisso, veio um excesso de burocracia em todos os processos da empresa, a continuidade de uma série de contratações baseadas mais em critérios de amizade do que técnicos aliado a um total distanciamento entre gerência e redação no Los Angeles Times. A primeira, aliás, de propósito, diversas vezes prejudicava a segunda.

Para se ter uma idéia desse distanciamento, o editor chefe do jornal publicou uma reportagem em que criticava a política de cortes da empresa, que começou em 2006. Aliás, desde então o temor de uma quebra ou crise virou um fantasma que passou a rondar os escritórios da empresa.

Isso sem contar a falta de definição sobre os objetivos. No começo de 2000, ficou resolvido que o foco deveria ser no noticiário internacional. Pouco anos depois, já mudou tudo, as operações deveriam ser focadas no local, o que gerou a famosa frase do diretor da Tribune Company.

“Quem quer informação do exterior que procure no Google e no Yahoo!”

Aliás disso, quase o de sempre – entraram muito tarde na web e, ao contrário de outras indústrias, investiram ou continuam a investir muito pouco em pesquisa para a criação de novos produtos. Depois, juntou tudo isso ao fato da audiência migrar para web.

Enfim, era um negócio que, mais cedo ou mais tarde, iria quebrar com ou sem o crescimento da internet. Não sei quanto a você, mas quando analiso o histórico dessas empresas vejo muito mais “má administração” do que um caso de “a internet acabou com o papel”.

De presente neste Natal, a Tribune Company precisa ganhar urgente um novo modelo de negócios.

Uma resposta a “Um modelo de negócios de presente de Natal para a Tribune Company”

  1. Perfeita análise, Tiago. É que fica mais fácil culpar a internet…

    Abraços!

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