Jornalismo com "making of"

Em meio aos programas sobre mídia que estrearam neste ano, um dos que chamaram a minha atenção foi o CNN Back Story (várias pessoas haviam comentado comigo).

É um programa diário da emissora (entrou no ar em outubro), de 30 minutos, dedicado a mostrar os bastidores das principais reportagens do canal.

No último programa que acompanhei, por exemplo, a repórter que estava cobrindo os ataques terroristas na Índia mostrou como a CNN estava trabalhando no local  – toda a equipe foi obrigada a andar com coletes à prova de bala. Nisso, direto dos estúdios em Atlanta, nos EUA, entrou um profissional da CNN que explicou como os jornalistas da emissora agem em situação de risco.

Existem algumas entrevistas em que os jornalistas da emissora contam como fizeram uma determinada reportagem e aproveitam para explorar melhor alguns pontos que não ganharam tanto destaque na edição final.  É um programa sobre os bastidores do jornalismo.  É como um Video Show só que sem as fofocas e novelas e voltado para o jornalismo. É transmitido de segunda a sexta-feira.

Essa idéia das próprias emissoras mostrarem os bastidores do seu jornalismo, de forma quase diária, não cresce somente lá fora.

A TV Cultura faz algumas transmissões ao vivo e, em paralelo, mostra os bastidores na web. E a TV Globo tem o seu Canal F, que já é mais específico e, também com exclusividade na web, revela os bastidores do Fantástico.

Um pouco longe das emissoras, neste ano, conheci o trabalho da produtora/coletivo multimídia Garapa. Em parceria com a Folha de S. Paulo, eles começaram a produzir uma série de making of’s das sabatinas da Folha. Ou seja, mais bastidores.

No caso Isabella, resolveram registrar o trabalho dos repórteres que estavam cobrindo o assunto. O resultado está no vídeo abaixo.

Jornalismo com “making of” fica bem mais interessante. Talvez seja um pouco efeito daquela “cultura dos extras de DVD”. Comprar um DVD e não contar com o “making of” do filme é bem frustrante. Assim, quem sabe, em breve, assistir a uma boa reportagem e não ver os bastidores poderá causar aquela sensação – ué, não está faltando alguma coisa?

11 respostas a “Jornalismo com "making of"”

  1. Estes tipos de iniciativas são ótimas para os estudantes de jornalismo. Vendo os bastidores das reportagens podemos entender melhor o dinamismo da profissão. Na maioria dos casos o conteúdo é transmitido é melhor do que muitas aulas das faculdades.

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  2. O uso de colete a prova de bala, por exemplo, é norma em zona de conflito. Nenhuma novidade, portanto.

    A exibição dos bastidores serve apenas para glamourizar desnecessariamente a profissão.

    Talvez sirva apenas a estudantes, mas é muito pouco para tomar tempo do usuário/leitor.

    abs

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  3. As empresas de internet, como o Vimeo e o Google, já matam um pouco da nossa curiosidade com os vídeos divertidos feitos nos bastidores. Acho válido no jornalismo, principalmente, se não for “maquiado”. As colunas que mais fazem sucesso na Folha falam dos bastidores da notícia ou de novelas, como o Zapping e a coluna de Daniel Castro. É um pauta que nunca fica sem assunto.

    Doria você conhece o Musebin.com. O twitter pra crítica musical. 😀
    Abs!

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  4. Tiago, tudo bem?
    Na sua opinião, isso está acontecendo por causa do marketing? Ou seja, as empresas descobriram que se mostrar é uma ótima forma de se parecer mais “transparente”, “confiável”, etc…

    Ou é uma tendencia do consumidor de querer sempre saber mais, como você citou o que tá por detrás do filme? E as empresas estão se adequando a isso?

    De já obrigado por sua resposta!

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  5. @Nadja

    Review de música em apenas uma linha? Parece ser legal.

    Lembra um cara no Flickr que fazia resenhas de álbuns de música por meio de gravuras. Ao invés de um post, uma gravura.

    abs

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  6. @Lucas Santos

    Acredito que seja uma mistura dos dois. Existe a questão do consumidor que consome mais conteúdo, quer mais, esse lado da transparência, e também o lado do marketing – esses programas não deixam de ser uma “auto propaganda”.

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  7. Sem querer advogar em causa própria, mas não no caso da Garapa.
    Em nenhum especial de bastidores, seja sobre política ou no caso Nardoni, se faz qualquer tipo de propaganda, já que a cobertura é independente. Coisa essa que falta ao jornalismo.

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  8. @Leo Caobelli

    Eu me referi ao BackStory, “programas”, e não à Garapa.

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  9. O Profissão Repórter do Caco Barcellos mostra os bastidores da reportagem já faz um tempo.
    Passa na Globo às terças a noite se não me engano

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  10. Avatar de RODOLFO DE PAULA FERLIN GUALDA
    RODOLFO DE PAULA FERLIN GUALDA

    🙂

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  11. […] comentei por aqui sobre o trabalho do pessoal do Garapa, produtora/coletivo multimídia, quando eles fizeram uma […]

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